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Édouard Manet no Dia da Mãe

Contigo aprendi tudo  que sei…Aprendi a andar, comer, a ler e escrever mas aprendi também o mais importante…aprendi a VER!

Hoje eu vejo mais de 100 cores diferentes numa paisagem, vejo o sentimento numa pintura ou até o sentido de um poema sem nexo.

Hoje eu consigo ouvir cada instrumento, por si só, de toda uma orquestra ou de uma floresta inteira…consigo ver a historia de um objeto banal e apreciar o mar como se de ouro se tratasse…

Hoje eu percebo quem sou porque TU me ensinaste. Sou o que quiser ser, sem limites nem restrições, sou o vento e todas as cores.

Só com uma regra: Nem 8 nem 80.

Feliz dia da mãe, para a melhor do mundo! 

 

 

Nasceu a 23 de Janeiro de 1832 e foi um dos mais importantes pintores parisienses, foi um impulsionador do movimento impressionista na pintura que contrastou com o realismo apreciado na época.

Filho da burguesia e sem um grande entusiamo para a aprendizagem, cedo descobriu o amor pelas artes e iniciou a sua viagem sendo discípulo de  Thomas Couture  onde durante 6 anos teve a oportunidade de aprender técnicas de pintura e reproduzir obras expostas no Louvre . Com uma diferente perspetiva do mundo, Manet utilizava a luz e as cores de uma forma livre, sem restrições académicas o que lhe proporcionava um grande número de críticas e desvalorizações. 

O seu tipo de pintura destoava dos gostos da sociedade e por isso mesmo as suas pinturas foram muitas vezes rejeitadas dos grande salões de exposições que lhe dariam visibilidade e fama. Em 1859, Manet envia o seu primeiro trabalho ao Salão de Paris (“O Bebedor de Absinto”) que foi quase que automaticamente rejeitada, só no ano de 1861 ele conseguiu um lugar na exposição com o quadro “O Cantor espanhol” 

 

 

 

Neste estilo é pretendido representar todos os tons que são refletidos pela luz, tornando o quadro mais vivo mas nem por isso mais definido, a linha que define as formas não é utilizada porque na realizada ela não existe, o que torna toda a pintura difusa mas percetível, a sombra é luminosa e criada não só pelos tons mas também pelas próprias pinceladas que como grande característica deste estilo são sobressaídas oferecendo ao quadro não só um efeito estético como físico sendo também uma marca deixada pelo próprio pintor, quase tão distinta como a própria assinatura. As cores não são formadas por mistura mas sim utilizadas individualmente em diferente camadas, em diferentes pinceladas, até atingirem o objetivo do pintor. É usual a utilização da natureza e de cenas banais mas reais da sociedade, sem o acrescento de floridos ou disfarces, é a simples verdade retratada por quem a vê.

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Em 1852 teve um filho bastardo de nome Leon Manet, a mãe era uma professora de piano com nacionalidade holandesa, Suzanne Leenhoff, que foi contratada para lhe dar aulas pelos pais que se opuseram fortemente ao seu namoro. Só com a morte de seu pai, Edouard casou com Suzanne mas nunca reconheceu Leon como seu filho talvez porque existem rumores de que afinal ele não seria seu filho mas sim seu irmão.

 

 

Nestes dois quadros, ambos de Suzanne, podemos verificar as diferenças entre o quadro mais classico e mais aproximado do que seria de esperar na época e o quadro de movimento impressionista. O primeiro foi pintado sendo Suzanne sua amante e num inicio da sua carreira verificando-se que a apresentação da mulher se assemelha ás ninfas muito apreciadas na altura, com contornos rijos e fixos mas com tons uniformes e delicados onde a natureza ganha um aspeto quase mágico. No segundo, vemos Suzanne já como sua esposa e por isso mesmo numa fase mais avançada da sua pintura onde conseguimos distinguir facilmente as características principais do impressionismo e consequentemente da técnica que tanto o diferenciou dos restantes pintores desta era.

Édouard Manet falaceu de sífilis em 1883, com 51 anos e está enterrado no Cemitério de Passy em Paris. 

Deixou uma marca no mundo da arte, iniciou uma nova perspetiva e influenciou diversos artistas, com ele nasceu uma nova era e hoje os seus quadros podem valer milhões.

Em Portugal podemos ver alguns exemplares deste pintor no museu Calouste Gulbenkian como por exemplo: “As bolas de sabão”, 1867 e “O rapaz das cerejas”, 1843 que são pinturas que retratam Leon Manet.

 

 

 

“A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível.”

Leonardo da Vinci

 

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Objetos

Inocência perdida

Adorava aquela sala, figuras de animais imponentes que só ali podia ver de tão perto. Havia peças feitas de osso, de pele ou de marfim. Para mim eram provas das suas existências em lugares longínquos que na minha imaginação visitava.

Ele orgulhoso mostrava-me as peças herdadas da família. Foi o meu avô que trouxe de África ou ofereceu-me o meu pai quando chegou daquela viagem… Eu sorria-lhe grata por tudo o que ele me dava a conhecer.

Aquela peça destacava-se, no meu imaginário grupos de elefantes passeavam calmamente pelas savanas africanas numa vida tranquila ora comendo vagarosamente ora bebendo nos grandes rios sob um grandioso pôr de sol.

Marfim (3)

Nunca me contou a triste verdade, talvez porque nunca o tenha pensado ou então porque eu era jovem demais para o saber.

Mas um dia ela surgiu agressiva, brutal derrubando os meus sonhos e acabando com a minha inocência expondo-me cruelmente aos fatos. Não conseguia ver tudo o que havia para ver tal o horror dessa verdade.

Desde esse momento sempre que olho para essa peça não vejo a beleza que via, não lhe toco como tocava, sinto apenas dor e guardo-a comigo para nunca me esquecer e poder mostrar aos outros, não a beleza como me mostraram, mas a desumanidade.

 

Imagino a vida daqui a vários anos…

Vida haverá?

Quando tenho o que tenho?

Quando mato por matar…

Quando me deslumbro com o mal?

 

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Imagem retirada do Jardim Zoológico de Lisboa

 

Diz a lenda que numa cidade viviam sete sábios cegos, que davam conselhos a todas as pessoas que os consultavam para resolver seus problemas. Os homens eram amigos, mas mantinham uma competitividade acirrada, e acabavam discutindo o tempo todo para evidenciar quem era mais sábio.

Um dia, depois de uma conversa cansativa sobre a Verdade, o sétimo sábio aborreceu-se e resolveu ir embora para as montanhas, e disse aos amigos:

– Somos homens cegos e talvez possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. Mas vocês ficam discutindo como se quisessem ganhar uma aposta, um jogo. Estou cansado dessa competição! Vou-me embora.

Um dia, um comerciante chegou à cidade montado num belo elefante africano. As pessoas nunca tinham visto um animal daquele porte, nem mesmo os sábios cegos conheciam aquele animal, e todos saíram à rua para vê-lo. Os cegos rodearam o elefante para tocá-lo e o primeiro sábio apalpou a barriga do animal e disse:

– É muito parecido com uma parede!

O segundo sábio, tocando nas suas presas, corrigiu-o:

– É muito parecido com uma lança!

O terceiro sábio, que segurava a tromba do elefante, retrucou:

– É muito parecido com uma cobra!

A mão do quarto sábio acariciava o joelho do elefante, e o sábio contestou:

– É muito parecido com uma árvore!

O quinto sábio gritou, quando mexia nas orelhas do elefante:

– É muito parecido com um abano!

O sexto sábio irritado rebateu:

– Todos vocês estão errados! O elefante é muito parecido com uma corda! – disse, tocando a pequena cauda do elefante.

E, alvoroçados, os seis sábios ficaram discutindo. Até que o sétimo sábio cego, descendo das montanhas, apareceu conduzido por uma criança. Ao ouvir a contenda, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e iludidos ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:

– É assim que os homens se comportam perante a verdade. Conhecem apenas uma parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!

(história adaptada de Heloisa Prieto e John Godfrey Saxe) – http://www.esalq.usp.br/visoes-da-ciencia/vc-a-lenda

Elefante-africano (Loxodonta africana)

É o maior animal terrestre, o seu peso varia entre 4 a 6 toneladas e mede em média 4 metros sendo o macho maior que a fêmea.

Este animal pode levantar até 10 toneladas e ingere em adulto entre 150 a 300 kg de vegetais por dia.

O elefante africano vive em família e é a fêmea mais velha que lidera. A comunicação é efectuada através de sons.

O intervalo mínimo entre nascimento é de 4 anos e as crias são amamentadas durante 2 anos.

Todas as fêmeas participam na proteção das crias.

Esta espécie como muitas outras está em via de extinção sendo a causa principal o tráfego das suas presas. Existem ainda outros fatores que contribuem para o declínio da espécie como diminuição do seu habitat.

A utilização do marfim para o fabrico de peças e joias não é de hoje e pode-se dizer que já na pré-história este material era utilizado pelas populações devido à sua beleza e pelo seu fácil manuseamento e resistência embora com uma conotação muito distinta da de hoje.

A convivência entre elefantes e humanos sempre foi complicada uma vez que a sua força bruta pode levar à destruição de colheitas, aldeias e até vidas, assim, num mundo “saudável”  e equilibrado a caça seria um forma de manter a população de elefantes controlada, as aldeias a salvo e ainda contribuía para a alimentação por vezes escassa das tribos residentes. As presas eram retiradas ao animal caçado e exibidas como um trofeu onde o caçador mostrava a audácia e a coragem por ter enfrentado a fera e ter ganho, mas com a exportação e os preços elevados da venda do Marfim essa caça deixou de se fazer por necessidade e sim por dinheiro levando à morte de centenas de animais com um único propósito: o lucro!

Para a preservação desta espécie, a proibição da comercialização de peças de marfim tem sido um dos instrumentos mais eficazes, existindo já em inúmeros países.

Em Portugal é proibido comercializar peças que tenham menos de 40 anos sendo necessário que estas estejam devidamente certificadas.

A proibição da comercialização do marfim chegou agora a países como a China e o Reino Unido, indo este país impor uma das mais rigorosas proibições deste comércio.

É fundamental perceber que sem a compra não existe venda e consequentemente podemos salvar a vida destes e de outros animais que fazem a nossa Terra o planeta mais especial e único de todo o universo.

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“The greatness of a nation can be judged by the way its animals are treated.”

Mahatma Gandhi

Objetos

A caixa dos segredos – Maki-e

 

Caixa Maki-eGuardo o que é magico, só o que é magico…

Ela não é dourada mas tudo o que guarda é o que de mais valor tenho….

Guardo a minha primeira visão de ti mas também a ultima…

Guardo o meu amor e a minha esperança, que um dia possamos recuperar tudo o que aqui guardei…

Guardo para todo o sempre, na minha caixa dos segredos.

Uma das técnicas japonesas que mais impressionam o Ocidente é a utilização de laca na decoração de diversos materiais como madeira ou porcelana. Estes objetos cativam a atenção não só pelo maravilhoso brilho originado pela polida superfície da laca mas pelo elevado número de pormenores minuciosos que são inscritos pelos artesões nestas peças muitas vezes com recurso a materiais preciosos e totalmente fabricados de forma manual.

Dentro da utilização da laca existem diversas técnicas que embora tenham uma base idêntica vão se distinguir pelos materiais que são utilizados nos acabamentos ou pela forma como estes são inseridos na peça.

A seiva extraída é utilizada como um verniz, é aplicada camada a camada (com longos períodos de secagem em condições controladas a nível de calor e humidade) formando uma cobertura polida e resistente que muito se assemelha ao plástico artificial, dependendo da técnica e do artesão um objeto finalizado pode levar mais de 20 camadas de laca.

A seiva retirada é translucida pelo que são inseridos pigmentos, os mais comuns nesta técnicas são os pigmentos vermelhos ou pretos.

É aqui que podemos dividir este processo em diferentes técnicas, entre as mais conhecias estão:

HarigakiSobre um fundo de uma só cor os efeitos são originados pela passagem de um objeto pontiagudo que retira a laca do local pretendido.

kimmaO mesmo processo acima descrito mas o espaço livre é preenchido com laca de outra cor (sendo muito usual ver se o vermelho e preto).

heidatsu São inseridos diversos materiais na decoração como metais preciosos ou semi-preciosos, coral, porcelana, marfim e mais comum no Japão carapaça de tartaruga.

maki-eNesta tecnica, muito apreciada e extramente comum dentro da decoração japonesa, o objeto é envernizado de uma só cor sendo os motivos feitos com uma laca de cor contrastante e finalizada com pó de ouro.

Nas peças mais elaboradas podem ser utilizadas mais do que uma técnica.

laca japonesa
Técnicas:  hiramaki-e, takamaki-e, tsukegaki, harigaki, chinkin, chingin y nashiji-e (http://revistacultural.ecosdeasia.com/la-laca-japonesa-urushi-i-definicion-elaboracion-y-tecnicas/)

Urushi (Rhusvernicifera ou Toxicodendron vernicifluum)  é o nome da arvore de onde é recolhida a seiva, cresce apenas nas zonas costeiras da China, Japão e Coreia tendo a particularidade de ser extremamente venenosa.  A sua seiva pode provocar graves lesões na pele se em estado liquido e por isso tem de ser manuseada com extrema cautela.

A seiva é tão resistente quando seca que pode mesmo ser utilizada para reparação de cerâmicas e madeiras.

Devido ao seu efeito de plastificação e á sua capacidade de envenenamento lento esta seiva foi em tempos utilizada por monges que acreditavam na Auto mumificação conhecidos como Urushi tree monks. Os monges mantinham uma dieta de bagas e sementes durante três anos para perderem toda a gordura corporal e posteriormente bebiam chá feito da seiva de Urushi perdendo toda a água corporal pela diarreia e os vómitos causados, fechavam-se num túmulo na posição de lótus apenas com um tubo para respirarem e um sino que tocavam todos os dias para confirmar que ainda estavam vivos. Quando o sino deixa-se de tocar o tubo era retirado e o túmulo ficava fechado durante três anos. Se o monge conseguisse a sua auto mumificação era venerado com um Buddha.

 

A seiva ajudava não só na perda de líquidos, mas na plastificação do corpo e no envenenamento do mesmo que causava a morte e protegia o corpo da decomposição. Esta prática foi realizada durante mais de 1000 anos até ser proibida pelo governo japonês.

“Não há segredos que o tempo não revele” –  Jean Racine

 

Faianças

Chá e Deuses

bandeja indiana antiga

Cinco batidas ritmadas no velho relógio de parede.

Fiquei alerta, pouco depois a porta do escritório abriu-se.

Ele olhou para mim e perguntou:

– Os trabalhos estão feitos?

– Quase, quase… respondi, mas com o olhar já perdido na outra mesa onde o chá me esperava.

– Vá, faz uma pausa e vem lanchar, chamou-me risonho.

Levantei-me e observei o ritual:

A toalha bordada, as chávenas de porcelana colocadas frente a frente com as pequenas colheres ordenadas em cada um dos pires, os guardanapos dispostos ao lado, os pratinhos com pãezinhos e a bandeja com o bule fumegante e o açucareiro.

Já sentada, o bule foi levantado e na bandeja surgiram flores estranhas de curvas retorcidas e Deuses que pareciam dançar para mim bailados excêntricos em cerimónias complicadas.

O chá deixou de ser apenas chá… de dento do bule saíram melodias estranhas e cheiros de especiarias exóticas e da minha chávena surgiram pétalas de flores perfumadas que em diferentes cores esvoaçaram pela sala até o meu chá arrefecer…

(…)

Esta bandeja é característica de Moradabad na India, uma cidade situada nas margens do Rio Ramganga com cerca de 679 mil habitantes e que tem o costume de trabalhar os metais para fabricar peças como bandejas; potes, vasos; esculturas, joias e outras peças de decoração e utensílios.

Não se sabe ao certo como nasceu a tradição de trabalhar os metais, mas existem registos que dizem que o solo da região era propício para a formação de moldes de barro necessários para moldar o latão.

A técnica utilizada tem o nome de “cera perdida” e consiste em desenhar e moldar a peça em cera de abelha e cobri-la com argila como contra molde, posteriormente a argila vai ao forno para endurecer e a cera de abelha derrete, deixando espaço para inserir o metal fundido que ganha a forma pretendida. Em frio, a argila é partida e deixa o metal a descoberto.

A primeira exportação destas peças foi para o Reino Unido em 1857, uma vez que o primeiro interessado nesta arte foi um colecionador de nacionalidade inglesa. Ao verificar a rentabilidade deste ofício o número de artesãos cresceu continuamente.

Hoje Moradabad é conhecida como Peetal Nagri (Terra do latão) e as suas peças são exportadas para todo mundo, existindo no local mais de 600 exportadores e 5000 fabricantes.

Nesta bandeja de inícios do séc. XX de inspiração Hindu podemos ver uma representação da deusa Durga e do deus Hanuman.

bandeja indiana sec.19

Hanuman é para o hinduísmo um ser imortal, uma reencarnação da deusa Shiva, filho do vento e de Sri Anjanna, leal servo do Deus Sri Rama. Tem uma forma símio humanoide, é adorado por milhões de pessoas na India e simboliza a força, a positividade, a devoção e a dedicação.

Durga por sua vez é um dos deuses mais conhecidos do Hinduísmo e é retratada como “A Invencivel”, mulher de Shiva e por isso madrasta de Hanuman é ela quem caça os demónios, as forças do mal presentes na crença Hindu.

Shiva Indian Tray

 

É geralmente acompanhada de uma espada como símbolo de sabedoria, um tridente denominado de trishula, arma com a qual destrói a ignorância humana, a concha que representa o som universal (OM) e o tigre que insinua força, destruição e determinação.

No Hinduismo podemos encontrar os mantras: poemas em sânscrito, místicos e religiosos que são recitados ou cantados de forma repetitiva e que têm como objetivo auxiliar na meditação. Os mantras são escolhidos consoante o Deus a que se reza e consequentemente a ajuda necessária.

O mantra “Jai mata Kali kay mata Durge” é direcionado á deusa Durge e ajuda a ultrapassar obstáculos, a defender do mau olhado, do orgulho e dá força para combater ataques inimigos.

 

Este Post teve o contributo do blog: https://rekhasahay.wordpress.com/

 

 

Documentos

O Livro: βιβλία

Cumpri o que te prometi… ou quase

Percorri todos os teus castelos ou quase todos

Abri todas as tuas masmorras ou quase todas

Conheci tudo o que havia para conhecer ou quase tudo…

Abracei as tuas memórias

Fiz delas as minhas recordações também!

Nada se dissipou ou quase nada

Cumpri o que te prometi… ou quase

Desculpa, mas o tempo às vezes vence

Mas não vence tudo nem vence sempre…

 

universal family bible.png

Foi escrito por mais de 40 autores, possui aproximadamente 3.566.480 de letras, 773.692 palavras, 1189 capítulos e 31.102 versículos. O seu nome vem do grego “βιβλία” que significa livro, foi traduzido parcialmente em 1500 línguas e é o livro mais editado, comprado e lido do mundo.

Nas fotografias podemos ver um exemplar do ano 1773 que embora pareça uma bíblia normal, possui no seu interior uma particularidade…

São chamadas de “family bible” e são bastantes conhecidas no Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia.

Para além de terem escrito o velho e o novo testamento têm no seu interior, mesmo no centro do livro, uma secção denominada de Registro. Era nestas folhas em branco que as pessoas escreviam datas de nascimento, casamento e morte dos seus parentes, sendo assim um objeto importante na rastreabilidade genealógica das famílias.

Eram muito populares na época vitoriana, sendo vendidas de porta em porta, podendo por isso, ser encontradas até em famílias não católicas.

Tem uma dimensão aproximada de 42cm de cumprimento, 28cm de largura e 10cm de espessura, com um peso perto dos 5kg.

universal family bible 1773

“Love one another”

– 1 Pedro 1:22

Adereços

Porta-moedas e a Loba de França

Porta moedas séc XVIII

Lembro-me daquele final da tarde de um lindo dia de outono, os dois no terraço sentados nas cadeiras de balouço olhando a serra, em que ele me falava sobre o seu antigo amor:

– Éramos diferentes, dizia ele

– Muito diferentes? Diferentes como? Perguntava, tentando conhecer aquela mulher através das suas palavras.

– Well, todas as pessoas são diferentes, mas nós tínhamos culturas diferentes, a nossa língua mãe era outra e….

– E então, não se entendiam?

– Claro que sim e muito bem. Mas sim, éramos diferentes!

– Até aí já percebi…. E as maiores diferenças quais eram?

– Aah, vou-te mostrar, levantou-se e contornou a casa desaparecendo do meu olhar.

Quando voltou, trazia com ele dois pequenos objectos e colocando um em cada mão tentou explicar-me daquela maneira tão própria.

– Este sou eu, mais sério, mais austero se calhar mais simples…, abrindo uma mão e mostrando-me um porta-moedas antigo de pele.

E de seguida, exibindo na outra mão inconscientemente elevada, um porta-moedas trabalhado em malha de prata:

– E este… era ela…mais divertida, mais imaginativa e mais complicada também!  

– Dizem que as pessoas diferentes se complementam, respondi-lhe eu percebendo que neste caso as diferenças traziam positividade à relação.

– Oh sure, yes!…, e olhando para o verde da paisagem em nossa frente continuou:

– Desde então, sinto o meu coração incompleto e a minha alma esvaziada…

“All good things must come to an end”.

 

Com o aparecimento das moedas apareceram também os recipientes que serviam para as transportar, sendo estes mais simples quanto mais antigos.

O porta-moedas mais antigo de que há conhecimento foi encontrado junto de uma múmia natural europeia conhecida como “Otzi the Iceman” com 5300 anos. Podemos encontrar também sinais destes objectos nos hieróglifos egípcios e são frequentemente vistos na Grécia antiga e mais tarde na época medieval.

É de ressaltar que as civilizações antigas não utilizavam bolsos uma vez que estes apareceram apenas no séc. XVII, transportando-se as bolsas presas na cintura normalmente acopladas aos cintos.

Estes porta-moedas são assim uma fase inicial das malas e carteiras utilizadas hoje em dia e tal como estas, tinham uma função prática e estética.

Podemos encontrar no decurso da História, varias referências que demonstram a utilização destes itens e em alguns casos foram até protagonistas como no escândalo da corte Francesa “Tour de Nesle Affair”

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Em 1314 numa visita a França, Isabella de França (também chamada de Loba de França) e mulher de Edward II de Inglaterra, levou 3 bolsas de seda para entregar como presente aos seus três irmãos Louis, Philip e Charles, também filhos de Philip IV.

Mais tarde noutra visita, a rainha apercebeu-se que dois cavaleiros franceses, Gautier e Philippe d’Aunay utilizavam duas dessas bolsas nas suas vestes e imediatamente comunicou ao seu pai que mandou investigar o facto.

Ao que parece, as princesas estavam a cometer adultério, os cavaleiros envolvidos foram condenados à morte e as princesas presas perpetuamente no castelo Gaillard.

Os porta-moedas apresentados na imagem datam do séc. XIX, sendo um de prata (de mulher) e outro de cabedal (de homem). Eram utilizados no interior dos bolsos como uma forma pratica de guardar as moedas. O seu sistema de fecho é idêntico e característico desta altura, podendo encontrar-se ainda estes  objectos em variados tipos de malhas, materiais e enfeites.

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Lazer

Uisge beatha – Johnnie Walker

Johnnie Walker Whisky 1960

Nos serões de inverno a seguir ao jantar, seguíamos para a sala de estar e saboreando uma bebida, dávamos oportunidade às palavras.

Nessa noite, sentado no seu sofá preferido junto à lareira sem nada dizer, fazia rodar o copo com whisky junto às narinas inspirando o seu aroma.

– Hoje não conversa connosco? Perguntei, nada habituada aquele silêncio.

– Yes, of course. Hoje encontrei dentro de uma caixa a minha roupa da tropa e agora de repente sinto o cheiro da minha terra…

– Encontrou a sua farda da guarda real inglesa?

– Sim, ainda me lembro: Durante duas horas, dez minutos completamente imóvel e de seguida quinze passos a marchar!

E continuou: – Já vos contei que um dos meus colegas foi suspenso porque pisou uma senhora que…

Sim, já nos tinha contado mas não nos importámos, até porque a seguir queríamos ver o uniforme da Queen’s Guard…

(…)

É difícil determinar a data em que se iniciou a produção de whisky, mas podemos saber que a sua inicial função era essencialmente medicinal, muitas vezes denominado de aqua vitae (água da vida) foi produzido por monges onde misturado com plantas e especiarias era dado aos enfermos. Os mais antigos registos do fabrico desta bebida datam do séc. 15 na Escócia, hoje pode ser escrito Whisky, Whiskey ou até Uísque.

Esta bebida provem de um complexo processo de fabrico apurado ao longo dos anos com múltiplas variáveis:
Desde os grãos e/ou quantidade utilizada dos mesmos para o malte, o tipo de madeira em que foi envelhecido se é ou não originado a partir de uma ou mais destilações e o país de fabrico são algumas das alternâncias que dividem o Whisky em diferentes classes como Scotch, Japonese ou Irish Whisky, Single Malt ou Blended, Bourbon ou Tennessee e ainda Rye Whisky.

Em 1819 Jonh Walker abriu uma mercearia onde vendia este elixir da vida. Sendo ele próprio também consumidor e apreciador detetou uma falha na produção do whisky, ele não era consistente o que significava que o sabor de ontem não era o mesmo de amanhã e aproveitou a oportunidade para se dedicar ao fabrico da sua própria bebida através da mistura (Blended) de maltes simples.
Hoje é a marca mais vendida no mundo com representação em mais de 200 países e com um volume de vendas superior ao de 10 milhões de caixas por ano.

A sua primeira marca comercial denominava-se ”Old Highland Whisky” e foi produzida já sobre a diretoria do seu filho Alexander no ano de 1857.

Em 1909 nasceram as conhecidas marcas Red e Black lable vendidas ainda hoje.

Ao longo dos anos a marca foi crescendo e evoluindo apresentando hoje uma grande variedade de whiskeys acrescentado as cores: Azul, Verde, Ouro, Platina e ainda Edições especiais que podem chegar a preços de 2000€ por garrafa.

Na foto apresenta-se uma Black Label de 1960.

Johnnie Walker é agora propriedade de Diageo que possui também as marcas Smirnoff, J & B, Gordon´s, Pillsbury e Burger King.

 

“Never delay kissing a pretty girl or opening a bottle of whiskey.”
― Ernest Hemingway

 

Adereços

Cristais dos anos 20

 

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Havia lágrimas nos olhos dele e cada lágrima brilhava mais do que as contas dos colares que me mostrava…
– Não esteja triste! Guarde os colares na caixinha…
– Não posso, dizia ele.
– Como os cristais também as recordações se quebram e sempre que eu os vejo cintilar assim, vês? Na minha memória surgem outras luzes brilhantes e recordo-me dos tempos em que eles eram usados e as minhas memórias continuam salvas…

Então de repente percebi que cada lágrima dele era uma conta de cristal no colar da sua vida e fiquei a ouvir porque tudo o que pudesse escutar ajudaria a que o cristal não se quebrasse….

 

 

Com a geometria das arestas e a simplicidade e transparência dos tons estes colares representam bem o estilo vivido nos anos 20, não só na moda, como na arquitetura, no cinema, na pintura e em tantos outros mundos o denominado Art Deco estava no seu apogeu.

Aqueles que lucraram com a grande guerra tornaram as noites dos anos vinte as mais loucas de sempre com presença assídua nos mais variados tipos de bares onde o álcool era o anfitrião.

Muitas mulheres ganharam a sua independência monetária com a oferta de cargos nas fábricas que forneciam as necessidades da grande guerra e com isto passaram também elas a escolher onde ir, o que vestir, o que beber e até em quem votar.

Os cocktails e os vestidos curtos faziam a delícia de muitos, e até na musica houve inovações. O Jazz acompanhava o  glamour e a classe destas noites que pediam sempre um brilho especial.

Com a recessão inicial da guerra o cristal era um ótimo concorrente dos diamantes, safiras, rubis e esmeraldas que com valores muito mais baixos conseguia oferecer uma grande variedade de cores e manter o destaque necessário nestas noites loucas dos 20.

A luxúria era rainha da noite e tudo o que fosse elegante simples e vistoso era bem vindo para agradar à vaidade das mulheres e à curiosidade dos homens.

Com todo este movimento e brilho noturno não existiu melhor era para se ser jovem.

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Adereços

Ópera

binóculos de teatro antigos

Ao fundo estava a sala dos tesouros, uma sala cheia de móveis antigos, alguns envidraçados mostrando joias de outros tempos.

O sol nesse dia lembrando-se de espreitar pela janela bateu lá em cima e um objeto respondeu-lhe soltando luzes de diferentes cores.

Colocando-me nas pontas dos pés, tentei espreitar:
– Que bonito! O que está ali em cima?
– São os binóculos da minha avó, respondeu-me ele tirando-os do móvel e colocando-os na minha mão.

Segurei nos binóculos com cuidado e ao revirá-los lentamente brotaram lindos tons rosas e azuis. 
– Vês? São de madrepérola como o interior de algumas conchas do mar. A madrepérola é chamada de mãe das pérolas… continuou ele
Conchas? Mar? Pérolas! Oh, claro que sim! Afinal eu estava na sala dos tesouros e tudo era possível.

Para construir uma ópera são necessários vários elementos. Começando pelo escritor original passando ao libretista, aos cantores, atores que atuam num cenário inteiramente pensado, decorado, iluminado e terminando com uma orquestra que acompanha todo o musical podemos talvez indagar que seja por todas estes esforços que se dê o nome de ópera uma vez que é uma palavra italiana que significa “trabalho”.

Para desfrutar uma obra desta magnitude é importante acompanhar todos os pormenores que aparecem ao longo da peça e por isso mesmo tiveram tanto sucesso os binóculos de teatro, por isso e por serem extramente uteis no que toca a inspecionar outros espectadores, não fosse a ópera um espetáculo de entretenimento mas também de estatuto.

Os binóculos de teatro utilizados hoje em dia são uma extensão evolutiva dos primeiros telescópios, sendo que a mais antiga referência a estes objetos pode ser encontrada em panfletos de teatro do ano de 1730.

Posteriormente foi inventada uma ponte metálica que unia dois pequenos telescópios levando os binóculos de ópera a apresentarem a configuração que vemos hoje em dia apenas com uma desvantagem, teriam de ser focados independentemente, pelo menos até ao ano de 1824, quando em Paris Piere Lemiere inventou a roda de foco para ambas as lentes em simultâneo.

Assim, de uma invenção de Galileu formou-se um objeto de puro luxo e lazer muitas vezes decorado com pedras e metais preciosos que marcavam posição nestes eventos sociais.

“Ópera is for a life time not just for a minute”

Kiri te Kanawa

Links relacionados:

  1. http://www.vam.ac.uk/content/articles/t/opera-in-england/
  2. http://www.fineoperaglasses.com/pages/The-History-of-Opera-Glasses-and-Theater-Binoculars.html
  3. http://www.gilai.com/article_22/Collectors-Guide-to-Opera-Glasses-History–Structure-and-More
Documentos

Pensamentos d`Ouro

jonh walker golden thoughts 2.pngDa primeira vez que ele me perguntou quais eram os meus pensamentos dourados, surpreendida  respondi-lhe muito rápido:
– Isso não existe!!!!
– Claro que existem e até há livros com esses pensamentos…
Fiquei fascinada. Eu tinha muitos pensamentos mas dourados não me lembrava de nenhum….
Mas ele continuava a falar lá do alto: 
– Vou mostrar-te um livro tão pequenino como tu mas com grandes pensamentos.
– Vem cá ver, chamando-me ao mesmo tempo que tirava de uma estante um pequeno livro.
– “Golden Thoughts” , Do you see? Vamos ver o pensamento de setembro…
– Diz que para sermos verdadeiros connosco temos primeiro de ser verdadeiros com os outros. Isto é um pensamento importante… dourado!
Pronto, não havia nada a fazer, também eu queria  ter  pensamentos assim… dourados!!!!!

John Walker & Co. Ltd. of Farringdon House, Warwick Lane, E.C., London, England foi uma empresa com início no séc. XIX que tinha como ofício a publicação de mapas, postais, livros, livros de bolso (calendários, blocos de notas, dicionários, atlas) e aparos de canetas.

Acredita-se que o aparecimento dos livros em miniatura tenha ocorrido mesmo antes dos livros em papel, devido à facilidade de transporte e por isso de consulta, os antigos escritos realizados em pedra eram muitas vezes feitos em miniatura.
Uma vez mais práticos estes continuaram a ser utilizados ao longo dos anos e estima-se que o primeiro livro de papel em miniatura tenha sido produzido em Veneza no ano de 1474 com o titulo “Offficium” sendo da autoria de Nicholas Jenson, ainda assim estes livros popularizaram-se no final do séc. XVIII depois da revolução industrial tornar o papel mais acessível.

Durantes todos estes anos de produção podemos encontrar os mais variados temas ou propósitos como por exemplo: almanaques, bloco de notas, livros de contos, calendários, livros de receitas culinárias, atlas, entre outros. Estes livros fizeram parte dos bolsos das mais variadas pessoas e classes e ainda hoje fazem as maravilhas dos leitores.

Links relacionados:

  1. http://www.vintagepostcards.ca/John_Walker.html
  2. https://www.pinterest.pt/deskitems/
  3. http://www.skyscript.co.uk/almanac.html
  4. https://en.wikipedia.org/wiki/Miniature_book
  5. http://www.baymoon.com/~peteranddonna/5-minibooks.htm