Locais onde o tempo tem história

…mais brilhante que o sol

Um dia simplesmente parei. 

Tudo foi feito para eu voltasse a caminhar

mas o mundo prosseguia sem mim

sem que eu voltasse a andar.

Até que ela com fé, prometeu

e o mundo continuou a avançar

e eu com ele avancei…

 

Cisnes no céu 3

Hoje há anjos no céu transportando nas asas fé e esperança.

Em terra, milhares de peregrinos terminaram as suas  jornadas de remição e chegaram a 13 de maio a Fátima.

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Santuário de Fátima (Imagem retirada do Google)

 

A 13 de maio de 1917 Nossa Senhora fez a primeira aparição a três crianças que guardavam os seus animais identificando-se como Senhora do Rosário.

Lúcia de 10 anos, Francisco de 9 e Jacinta de 7 anos afirmaram ter visto sobre uma pequena azinheira”…uma Senhora vestida de branco e mais brilhante que o Sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente…”.

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Nossa Senhora do Rosário de Fátima (Imagem retirada do Google)

Lúcia conseguia falar com a Senhora, Jacinta ouvia-A e Francisco apenas A via.

A Senhora disse-lhes que vinha do céu e que iria voltar mais vezes, pedindo-lhes que voltassem novamente no mês seguinte no dia 13.

Assim começaram as peregrinações à Cova de Iria, o Santuário recebe milhões de visitantes por ano e milhares de pessoas efetuam a viagem a pé pagando promessas que efetuam a Nossa Senhora do Rosário de Fátima ou caminham apenas por devoção.

 

São várias as promessas feitas…Há quem percorra toda a viagem em silêncio, quem transporte a cruz e ainda quem a faça inteiramente descalço. Vêm de todas as partes do país e até do mundo para agradecer á Santa e pagar a promessa feita, havendo ainda aquelas que são pagas pela queima de velas que existem no próprio santuário

 

Mas antes de ir embora, a Senhora ainda pediu aos pastorinhos que rezassem o terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.

Terço prata
Colar em prata em forma de terço

O Rosário é um instrumento de oração utilizado pelos católicos romanos. Está dividido em três partes que são os Terços e cada Terço tem cinquenta contas.

Um Terço tem cinco mistérios: os Mistérios Gozosos, os Mistérios Dolorosos, os Mistérios Gloriosos e os Mistérios Luminosos, que são períodos importantes e diferentes da vida de Jesus e da Virgem Maria.

Mas o Terço reza-se por dezena ou seja, por cada mistério da vida de Cristo, um Pai-Nosso e por cada dez contas (dez Avé-Marias). No fim uma Salvé-Rainha.

Procissão das velas
Procissão das velas – Fátima (Imagem retirada do Google)

A palavra Rosário quer dizer Coroa de Rosas. Diz-se que a Virgem Maria revelou que por cada vez que se reza uma Avé Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas.

 

Locais onde o tempo tem história

Mil e uma fantasias

Chegava os primeiros dias quentes do ano. Eu pequena, já antes do jantar afirmava que o calor era muito e que deveríamos sair para o jardim para refrescar.

Na serra durante o dia, várias tonalidades de verde reluziam ao sol, eram verdes exuberantes que se apresentavam orgulhosamente emoldurados pelo céu azul que cada vez mais profundo se juntava ao mar que eu não via, mas sabia lá estar.

 

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Palácio de Monserrate visto de Galamares (imagem retirada do Google)

Anoitecia devagarinho e era na noite que surgia a maior magia daquele lugar.

Acendiam-lhe as luzes e no meio da serra surgia relembrado o palácio imponente, imaginário, surreal.

À hora permitida lá ia eu, feita senhora devagarinho saía à rua, mas na alma levava pressas de criança para o poder apreciar. 

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Palácio de Monserrate visto de Galamares (Imagem retirada do Google)

Depois à noite não dormia, entre personagens inventadas lá estava eu desenhada como princesa real…

Ai que devaneios que eu tinha! O que o palácio me fazia…

 

“Quantos luares eu lá vi?
Que doces manhãs d’Abril?
E os ais que soltei ali
Não foram sete mas mil!”
(Os Maias)

 

Sintra é património da humanidade pela conjugação da sua paisagem natural com os monumentos existentes, entre eles o Palácio de Monserrate situado numa das encostas da Serra de Sintra.

Dizem que no séc. XII foi construido em Monserrate um santuário sobre o túmulo de um cavaleiro (árabe?) que o povo venerava. No séc. XVI, foi construída uma capela no mesmo local em honra de Nossa Senhora de Monserrate.

A partir do séc. XVIII a quinta de Monserrate passou a pertencer ao 36º Vice-Rei das ìndias, caetano de Melo e Castro, pertencendo aos seus descendentes até meados do séc. XIX. Durante esse periodo foram efetuadas várias obras e o edifício assemelhava-se a um castelo com duas torres, tendo havido cuidados também na envolvência paisagistica criando um ambiente de atmosfera romântica que a própria serra o exigia.

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Desenho de W. Baker, gravado e publicado por John Wells em 1793. (Imagem retirada do Google)

Foi em 1856 que a quinta foi adquirida por um milionário inglês Sir Francis Cook, mais tarde Visconde de Monserrate que envolvendo arquitetos, botânicos, jardineiros e paisagistas, transformou o palácio e os seus jardins num local mágico.

Nos jardins foram colocadas mais de 3 mil espécies diferentes de vegetação exuberante trazida de vários lugares do mundo, formando clareiras, relvados e bosques e o palácio foi reconstruído num estilo neogótico com uma torre circular, cúpulas e vários arcos em ogiva.

Na sua decoração passou a haver dourados e pedras mármore rosas e brancas, arabescos e rendilhados num estilo indo-persa que o transformou definitivamente num palácio das mil e uma noites. Foi em 1978 que o estado português comprou o Palácio de Monserrate passando este a ser Imóvel de Interesse Público e podendo ser visitado pelo público.

 

 

 

“On sloping mounds, or in the vale beneath,
Are domes where whilom kings did make repair;
But now the wild flowers round them only breathe:
Yet ruined splendour still is lingering there.
And yonder towers the prince’s palace fair:
There thou, too, Vathek! England’s wealthiest son,
Once formed thy Paradise, as not aware
When wanton Wealth her mightiest deeds hath done,
Meek Peace voluptuous lures was ever wont to shun.”

1809, Lord Byron (Monserrate)

Childe Harold’s Pilgrimage, Canto the First XXII

 

 

Locais onde o tempo tem história

Feira da ladra – Lisboa

feira da ladra em Lisboa

Nome: Feira da Ladra

Local: Entre o Campo de Santa Clara e a Igreja de São Vicente de Fora – Lisboa

Periodicidade: Bissemanal, 3ªs e sábados

Horário: 9H00 às 18H00 (este horário não é exacto podendo variar conforme a altura do ano)

O que encontrar: Além dos objectos normalmente vendidos por feirantes, encontram-se também antiguidades, velharias, artigos de coleccionismo e artesanato. No local, existem também algumas lojas de antiguidades e restaurantes.

Curiosidades: Esta feira é a maior e mais antiga de Lisboa. Inicialmente no séc. XIII tinha como nome “Mercado Franco de Lisboa” e situava-se junto ao Castelo de São Jorge, mudou diversas vezes de local e lentamente deixou de vender produtos tradicionais de mercado para passar a vender maioritariamente artigos velhos e usados.

Não se sabe a origem do nome de “Feira da Ladra”, havendo muitas teorias como por exemplo:

Derivação da palavra “lada” que no português antigo significava “margem do rio”;

“Saint-Ladre”  que era o nome dado na Idade Média às feiras em França;

“Al Hadra” que em árabe significa “Nossa Senhora” ou simplesmente porque

por lá se vendem peças usadas provenientes de vários donos e não existem certezas de como foram adquiridas…

Esta feira está situada na zona antiga no bairro de São Vicente entre a GraçaAlfama e ao seu redor existem diversos monumentos entre eles, o Panteão Nacional tendo também junto de si o Jardim Botto Machado que oferece vista sobre o Rio Tejo.