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Maçonaria – Primeira parte

 

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Abri a porta devagarinho, espreitei em silêncio…

Havia algo sinistro naquele quarto, nunca percebi o que era mas a curiosidade de criança ganha sempre à pouca moral que ainda existe.

Passei os bichos que me arrepiam até hoje, os quadros com pedacinhos de mundos a preto e branco e pé ante pé caminhei até à secretária… coloquei a mão sobre o documento com uma textura tão diferente de qualquer outro papel que vi até então…

 Tinha símbolos que não entendia…letras? Números? Desenhos? Oh que papel tão importante deve ser…

Ouvi alguém… ele veio até a mim e com um sorriso disse:

– Não falamos já sobre isto?

Corei…

– Um dia vais perceber, agora não é altura.

Talvez seja das poucas historias que ele nunca contou, talvez seja das poucas coisas que tive de descobrir sozinha, ou talvez não, porque verdade seja dita, ainda não descobri tudo!

Uma coisa é certa, seja por semelhança, por gostos, por proximidades ou apenas por conveniência a sociedade tem a tendência de se dividir em grupos.

Desde pequenos que temos o nosso núcleo familiar ou de amigos, mais tarde partilhamos o nosso tempo com quem tem os mesmos gostos ou interesses, por isso não é difícil acreditar que existam milhares de sociedades secretas às quais não temos acesso… porque não queremos e algumas porque não podemos.

Também sei que no mundo há pessoas de boas e de más intenções, assim não será de estranhar que dentro dos vários grupos possamos ter boas e más pessoas o que me leva a acreditar que nem todas as sociedades secretas são com más finalidades (o que não significa que não tenham membros com esse intuito).

A mais antiga sociedade secreta do mundo é a Maçonaria, teve inicio 1000 anos antes de cristo durante a construção do templo de Salomão e foi fundada pelo chamado “filho da viúva” (Hiram Abiff) que segundo a lenda é o Construtor do Templo de Salomão.

Durante a construção do templo três operários achavam que as plantas da construção tinham também escritas mágicas que lhe iriam conferir poder. Durante a construção sempre exigiram a Hiram que lhes dissesse quais as palavras mágicas, mas este disse que só no final da obra as poderia mostrar.

Os trê31959757_10156441703986204_3531583944862466048_ns homens cercaram as três portas do templo e a cada tentativa de fuga perguntavam a Hiram quais as palavras mágicas. Como sempre recusou-se a dizer, Hiram foi agredido na primeira porta com uma pedra afiada, na segunda com um esquadro de pedreiro e na terceira teve o golpe mortal com um cálice e ao morrer gritou: “quem ajudará o filho da viúva?”.

 

Na lenda, Hiram representa a liberdade de conhecimento, de religião, de politica e os três inimigos são a ignorância o fanatismo e a tirania.

Na realidade é muito mais difícil perceber o surgimento desta comunidade e julga-se que começou por um conjunto de mestres da construção civil (chamados de Maçons) que se uniram para valorizar o seu trabalho e escolherem os seus discípulos, a quem seriam passados os segredos da construção. Com o tempo, estas reuniões passaram a incluir a discussão de várias matérias e ciências.

Nos tempos que corriam, a Igreja era soberana e tudo o que lhe causasse perigo era extinto, assim, as reuniões onde se discutiam ciências (algo tão proibido e desacreditado na época) teriam de ser feitas em segredo, nasceu assim a Maçonaria.

Eram uma união de pessoas que tinham como único intuito a discussão e partilha de todo e qualquer conhecimento independentemente da raça, da religião e da politica.

Desta forma muitas das grandes personagens, conhecidas hoje como grandes cientistas, artistas, revolucionários, idealistas estavam inseridas nesta sociedade secreta não porque se juntaram para planear uma grande conspiração mas sim porque ali tinham a liberdade de discutir as suas ideias e pensamentos com outros Homens com os mesmos interesses e aspirações. Não precisavam de ter medo de expor as suas aprendizagens e os seus estudos, estavam livres para fazer perguntas e procurar respostas sem julgamento ou punições.

A junção de tantas identidades poderosas numa só organização levou ao medo e à criação não só de teorias de conspiração como grupos anti maçons que construíram ao redor desta comunidade um grande número de histórias fictícias e desprovidas de evidencias.

Nos dias de hoje a Maçonaria tem alguns milhões de discípulos espalhados pelo mundo e embora já não exista a necessidade de secretismo ainda existem alguns segredos ou factos sem explicita explicação.

Uma das maiores curiosidades no interior destas comunidades são os rituais de passagem ou de iniciação que sendo tão antigos como a própria podem se tornar estranhos ou até mesmo bizarros. Em tempos antigos, acredito que estes rituais fossem de crucial importância para manter a Igreja (ou qualquer ameaça) fora do círculo comunitário e manter não só o seu secretismo como consequentemente garantir a segurança daqueles que dela faziam parte.

O ritual de iniciação consiste numa morte fictícia em que o discípulo “renasce” como integrante desta comunidade, é realizada com inúmeras regras como por exemplo as vestes e é ainda feito um juramento sobre a bíblia em como não vão passar qualquer informação sobre a ordem para o exterior ou terão de enfrentar a pena de morte, mais especificamente:

“Eu, (nome), juro e prometo, de minha livre e espontânea vontade, pela minha honra e pela minha fé, em presença do Supremo Arquiteto do Universo, que é Deus perante esta assembleia de maçons, solene e sinceramente, nunca revelar quaisquer dos mistérios que sempre ocultarei e nunca revelarei qualquer uma das artes secretas, partes ou pontos dos mistérios ocultos da maçonaria que me vão ser confiados, senão a um bom e legítimo irmão ou em loja regularmente constituída, nunca os escrever, gravar, traçar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los. Juro também ajudar e defender meus irmãos em tudo o que puder e for necessário,(…). Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado, e meu corpo enterrado nas areias do mar, onde o fluxo e o refluxo das ondas me mergulhem em perpétuo esquecimento, sendo declarado sacrílego para com Deus, e desonrado para com todos os homens. Amém”

 

 

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A Maldição …

Palavras que me rasgam

não são plumas…

Não me adornam!

Cada sílaba, cada tom

Uma dor, uma punição…

Palavras que sussurram mágoas

não são penas…

Não as leva o vento!

Essas são amarras, são correntes…

Essas são maldição!

 

 

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O programa apresentado em cima é da Ópera Rigoletto que foi realizada no Coliseu dos Recreios de Lisboa, sala de espectáculos popular situada no centro de Lisboa nas Portas de Santo Antão inaugurada a 14 de agosto de 1890.

Coliseu dos Recreios Lisboa
Imagem retirada do Google

A primeira obra exibida no Coliseu dos Recreios de Lisboa foi uma opereta cómica e a partir de então até aos nossos dias muitas celebridades por lá passaram. O Coliseu dos Recreios  tem a particularidades de apresentar diversos tipos de espectáculos desde música clássica até companhias de circo.

 

Planta Coliseu Lisboa
Imagem retirada do Google

 

Rigoletto é uma ópera de Giuseppe Verdi, baseada na obra de Victor Hugo “Le roi s’amuse” (“O rei diverte-se”) de 1832 em que o autor pretendeu com ela denunciar a corrupção que existia na corte de Luís XII.

A ópera Rigoletto foi estreada em Veneza no teatro “La Fenice” a 11 de março de 1851 após ter sido alterada tanto na própria história devido à censura que não permitiu que esta se referisse ao rei como também no nome que primeiramente teria, “La Maledizione”.

 

Rigoletto
Imagem retirada do Google

Ato I – Cena I

Estamos no século XVI no palácio do duque em Mântua na Itália. É noite e no palácio há luzes e música, no salão decorre um baile. Entre danças e conversas, o Duque de Mântua vangloria-se das suas conquistas e informa que está interessado numa jovem desconhecida que apenas vê aos domingos na igreja. Dela só sabe que um homem qualquer a visita todas as noites porventura seu amante.

Entre os convidados estão no palácio o Conde e a Condessa de Ceprano, o Duque esquecendo-se da jovem desconhecida entrega-se a devaneios com a Condessa deixando o seu esposo apreensivo por saber a fama do Duque de Mântua. É então que Rigoletto, o bobo corcunda se diverte arranjando todas as maneiras possíveis para o Duque conseguir seduzir a Condessa ora dizendo para a raptar ora opinando que deveria executar o Conde.

Alguém na festa insinua que Rigoletto tem uma amante gerando uma risota geral ao mesmo tempo que a notícia passa de boca em boca. Mas surge outro nobre, Monterone que abrindo caminho até ao Duque, acusa-o de ter desonrado a sua filha. Rigoletto que odeia todos os homens como odeia a sua deformidade, desfruta da dor e goza com Monterone imitando a sua atitude desesperada. Monterone exaspera-se e reclama vingança lançando uma maldição em nome da mágoa de um pai e sai do palácio deixando Rigoletto apreensivo e a festa termina.

Ato I – Cena II

É noite, Rigoletto dirige-se para casa da jovem desconhecida quando num beco escuro surge o assassino Sparafucile que lhe oferece os seus serviços. O bobo não aceita e segue caminho até casa de Gilda, sua filha e a única pessoa a quem quer bem.

Rigoletto conta a Gilda as suas desgraças, o seu amor perdido, sua mãe e diz-lhe para nunca sair de casa sozinha e volta a partir. É quando chega o Duque que pagando à governanta consegue conversar com Gilda e mentindo-lhe diz-lhe que é um estudante e que está apaixonado por ela. Gilda inocente também lhe declara o seu amor. Ouve-se barulho lá fora e o Duque foge sem ser visto. Rigoletto que voltava a casa encontra nobres na rua que lhe dizem que vão raptar a Condessa e convidam-no a participar. Os nobres jogam com o bobo, vendam-lhe os olhos, fazem-no dar voltas e voltas e finalmente entram em casa de Rigoletto que só mais tarde se apercebe que afinal a escada que ajuda a segurar é a de sua casa e a mulher levada é a sua filha.

Ato II

No palácio o Duque não sabe onde está Gilda, os cortesãos chegam divertidos dizendo que trouxeram a amante de Rigoletto. Quando o bobo desesperado chega descobre que Gilda está no palácio e roga que lha entreguem. Gilda corre para os braços do pai contando-lhe a verdade. Está apaixonada pelo Duque e esqueceu todos os seus avisos. Rigoletto jura vingança mesmo quando a sua filha lhe pede para não fazer mal ao Duque.

Ato III

Já depois de ter contratado Sparafucile para matar o Duque, Rigoletto leva Gilda de noite, perto da estalagem, casa do assassino Sparafucile e da sua irmã para que esta veja com os seus próprios olhos, o Duque a cortejar outra mulher. O Duque passa cantando alegremente o desprezo pelas mulheres e segue para mais uma aventura amorosa com a irmã de Sparafucile. Rigoletto manda Gilda embora mas esta sabendo que o seu pai mandou matar o seu amado resolve voltar e vai ao encontro do assassino que no escuro a esfaqueia pensando que estava a atacar o Duque. Sparafucile coloca o corpo num saco e entrega-o a Rigoletto que resolve deitá-lo ao rio quando ao longe volta a ouvir o Duque a cantar no regresso a casa. Sem perceber abre o saco e vê a sua filha a agonizar acabando por morrer cumprindo a maldição que lhe foi lançada.

 

I adore art…when I am alone with my notes, my heart pounds and the tears stream from my eyes, and my emotion and my joys are too much to bear.

Giuseppe Verdi

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Édouard Manet no Dia da Mãe

Contigo aprendi tudo  que sei…Aprendi a andar, comer, a ler e escrever mas aprendi também o mais importante…aprendi a VER!

Hoje eu vejo mais de 100 cores diferentes numa paisagem, vejo o sentimento numa pintura ou até o sentido de um poema sem nexo.

Hoje eu consigo ouvir cada instrumento, por si só, de toda uma orquestra ou de uma floresta inteira…consigo ver a historia de um objeto banal e apreciar o mar como se de ouro se tratasse…

Hoje eu percebo quem sou porque TU me ensinaste. Sou o que quiser ser, sem limites nem restrições, sou o vento e todas as cores.

Só com uma regra: Nem 8 nem 80.

Feliz dia da mãe, para a melhor do mundo! 

 

 

Nasceu a 23 de Janeiro de 1832 e foi um dos mais importantes pintores parisienses, foi um impulsionador do movimento impressionista na pintura que contrastou com o realismo apreciado na época.

Filho da burguesia e sem um grande entusiamo para a aprendizagem, cedo descobriu o amor pelas artes e iniciou a sua viagem sendo discípulo de  Thomas Couture  onde durante 6 anos teve a oportunidade de aprender técnicas de pintura e reproduzir obras expostas no Louvre . Com uma diferente perspetiva do mundo, Manet utilizava a luz e as cores de uma forma livre, sem restrições académicas o que lhe proporcionava um grande número de críticas e desvalorizações. 

O seu tipo de pintura destoava dos gostos da sociedade e por isso mesmo as suas pinturas foram muitas vezes rejeitadas dos grande salões de exposições que lhe dariam visibilidade e fama. Em 1859, Manet envia o seu primeiro trabalho ao Salão de Paris (“O Bebedor de Absinto”) que foi quase que automaticamente rejeitada, só no ano de 1861 ele conseguiu um lugar na exposição com o quadro “O Cantor espanhol” 

 

 

 

Neste estilo é pretendido representar todos os tons que são refletidos pela luz, tornando o quadro mais vivo mas nem por isso mais definido, a linha que define as formas não é utilizada porque na realizada ela não existe, o que torna toda a pintura difusa mas percetível, a sombra é luminosa e criada não só pelos tons mas também pelas próprias pinceladas que como grande característica deste estilo são sobressaídas oferecendo ao quadro não só um efeito estético como físico sendo também uma marca deixada pelo próprio pintor, quase tão distinta como a própria assinatura. As cores não são formadas por mistura mas sim utilizadas individualmente em diferente camadas, em diferentes pinceladas, até atingirem o objetivo do pintor. É usual a utilização da natureza e de cenas banais mas reais da sociedade, sem o acrescento de floridos ou disfarces, é a simples verdade retratada por quem a vê.

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Em 1852 teve um filho bastardo de nome Leon Manet, a mãe era uma professora de piano com nacionalidade holandesa, Suzanne Leenhoff, que foi contratada para lhe dar aulas pelos pais que se opuseram fortemente ao seu namoro. Só com a morte de seu pai, Edouard casou com Suzanne mas nunca reconheceu Leon como seu filho talvez porque existem rumores de que afinal ele não seria seu filho mas sim seu irmão.

 

 

Nestes dois quadros, ambos de Suzanne, podemos verificar as diferenças entre o quadro mais classico e mais aproximado do que seria de esperar na época e o quadro de movimento impressionista. O primeiro foi pintado sendo Suzanne sua amante e num inicio da sua carreira verificando-se que a apresentação da mulher se assemelha ás ninfas muito apreciadas na altura, com contornos rijos e fixos mas com tons uniformes e delicados onde a natureza ganha um aspeto quase mágico. No segundo, vemos Suzanne já como sua esposa e por isso mesmo numa fase mais avançada da sua pintura onde conseguimos distinguir facilmente as características principais do impressionismo e consequentemente da técnica que tanto o diferenciou dos restantes pintores desta era.

Édouard Manet falaceu de sífilis em 1883, com 51 anos e está enterrado no Cemitério de Passy em Paris. 

Deixou uma marca no mundo da arte, iniciou uma nova perspetiva e influenciou diversos artistas, com ele nasceu uma nova era e hoje os seus quadros podem valer milhões.

Em Portugal podemos ver alguns exemplares deste pintor no museu Calouste Gulbenkian como por exemplo: “As bolas de sabão”, 1867 e “O rapaz das cerejas”, 1843 que são pinturas que retratam Leon Manet.

 

 

 

“A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível.”

Leonardo da Vinci

 

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Registos da Natureza – 1904

Todos os dias ela trazia sem eu saber um pequeno ser vivo para casa…

– O que trazes aí na mão? Perguntava-lhe desconfiada.

– Nada, nada… Escondendo mais um pequenino bicho que aqui em casa vinha morar.

– O que estás a fazer junto à janela?

– Estou a ver as tuas flores…. são bonitas….

– Sim, são… oh não!!!

A minha mini estufa tinha-se transformado num mini jardim zoológico de insetos, já não tinha flores, somente escaravelhos, bichos de contas e lesmas…

 

Pode-se afirmar que a ciência como um todo, é a principal responsável pelo desenvolvimento da humanidade como hoje a conhecemos.

A nossa proximidade com a natureza levou-nos a apreciar e a tentar compreender o seu funcionamento.

Os primeiros registos deixados pelo Homem foram de animais e encontram-se nas pinturas rupestres que podem ser encontradas um pouco por todo o mundo. Estes registos não eram feitos por mero acaso, mas como uma tentativa abstracta de compreensão e registo para futuras gerações.

 

As margens do rio Côa (Portugal), são uma galeria de obras de arte pré-históricas com mais de 25.000 anos. É o maior complexo de arte rupestre paleolítica ao ar livre do mundo sendo Património da Humanidade.

A aprendizagem é a palavra chave da condição humana, e desde o inicio da nossa existência que a nossa capacidade de reter conhecimento nos levou mais à frente.

Foi o reconhecimento do processo causa/efeito que nos possibilitou aprender quais as plantas que podiam ser ingeridas e quais as que tinham efeitos curativos para determinadas e especificas doenças, quais as plantas que poderiam ser plantadas e aquelas que só nasceriam através de sementeira.

 

 

 

Foi o conhecimento dos animais que nos possibilitou diferenciar o momento em que somos “presas” do momento em que somos “caçadores”. Foi com a observação e a retenção do observado que podemos perceber quais as funções que poderiam ser auxiliadas pelos animais e com isto ganhar tempo disponível para outras aprendizagens, fazendo do conhecimento um ciclo sem fim.

Foram várias as descobertas na natureza que revolucionaram o pensamento e o estilo de vida humano assim como os livros publicados ao longo dos séculos sobre esta matéria sendo provavelmente o mais conhecido “The origin of the species” de Charles Darwin do ano de 1859.

Charles Darwin, talvez um dos mais reconhecidos cientistas mudou pensamentos e ideologias quando propôs a sua teoria da evolução, hoje reconhecida e que possibilitou mais uma vez a nossa evolução enquanto humanidade.

O livro apresentado data de 1904 e é baseado no plano de A. E Brehm, um escritor alemão, sendo uma edição coordenada, revista e ampliada à fauna portuguesa por Victor Ribeiro.

Aqui podemos encontrar uma grande variedade de insetos e outros seres vivos já conhecidos na época e as suas caraterísticas físicas e morfológicas, assim como algumas curiosidades comportamentais.

Alguns destes seres são desconhecidos da maioria da população como por exemplo os escorpiões ou lacraus e as tarântulas.

A tarântula, muitas vezes associada a países exóticos tem na verdade origem europeia e existe por cá, este nome deriva dos sintomas que a sua picada provoca conhecidos como “tarantismo” (delírios, tonturas, vertigens, dor local entre outros) mas o seu veneno ao contrário do que normalmente se associa a este nome é de baixa toxicidade para os seres humanos. Crê-se que na época dos descobrimentos este nome tenha sido vulgarizado ao ser utilizado para descrever as novas espécies perigosas, encontradas nos diversos continentes colonizados.

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I love fools’ experiments. I am always making them.

Charles Darwin

 

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O Livro: βιβλία

Cumpri o que te prometi… ou quase

Percorri todos os teus castelos ou quase todos

Abri todas as tuas masmorras ou quase todas

Conheci tudo o que havia para conhecer ou quase tudo…

Abracei as tuas memórias

Fiz delas as minhas recordações também!

Nada se dissipou ou quase nada

Cumpri o que te prometi… ou quase

Desculpa, mas o tempo às vezes vence

Mas não vence tudo nem vence sempre…

 

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Foi escrito por mais de 40 autores, possui aproximadamente 3.566.480 de letras, 773.692 palavras, 1189 capítulos e 31.102 versículos. O seu nome vem do grego “βιβλία” que significa livro, foi traduzido parcialmente em 1500 línguas e é o livro mais editado, comprado e lido do mundo.

Nas fotografias podemos ver um exemplar do ano 1773 que embora pareça uma bíblia normal, possui no seu interior uma particularidade…

São chamadas de “family bible” e são bastantes conhecidas no Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia.

Para além de terem escrito o velho e o novo testamento têm no seu interior, mesmo no centro do livro, uma secção denominada de Registro. Era nestas folhas em branco que as pessoas escreviam datas de nascimento, casamento e morte dos seus parentes, sendo assim um objeto importante na rastreabilidade genealógica das famílias.

Eram muito populares na época vitoriana, sendo vendidas de porta em porta, podendo por isso, ser encontradas até em famílias não católicas.

Tem uma dimensão aproximada de 42cm de cumprimento, 28cm de largura e 10cm de espessura, com um peso perto dos 5kg.

universal family bible 1773

“Love one another”

– 1 Pedro 1:22

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Elizabeth Bathory – A Condessa Sangrenta – Halloween

Não há nada como uma boa história de terror, dizias tu!

– Em dias de chuva esta serra fica magnifica para uma boa história de Halloween. 

Percebi, sentei-me e mesmo antes de ouvir já podia sentir um leve arrepio a percorrer o meu corpo. Já sabia que não ia dormir naquela noite mas, mesmo assim aconcheguei-me na manta de lã e acenei com a cabeça mostrando que estava preparada.

 

No Séc. XVI nascia a lenda de uma Condessa Húngara que torturava e matava jovens raparigas para manter a sua juventude e beldade.
Embora se suponha que muitos dos contos sejam pura imaginação, existem testemunhos verídicos de algumas das crueldades praticadas pela Condessa que é hoje conhecida como uma das mais antigas Serial Killer da História.

Elizabeth Bathory

 

Elizabeth Barthory, nasceu a 7 de Agosto de 1560 na Hungria. Desde o início da sua vida que se apresentou como uma mulher muito inteligente mas perturbada, teve vários problemas psicológicos, entre eles, ataques de raiva, epilepsia e distúrbio bipolar. Sabia falar, ler e escrever em quatro línguas diferentes e aos 11 anos já estava noiva de Ferenc Nádasdy.

 

 

Casaram dois anos depois e foi aí que a lenda começou. Ferenc era comandante das tropas Húngaras e passava longos períodos fora de casa, Elizabeth aproveitava esses momentos para torturar as suas servas, embora mais tarde o seuBrasão Hungria marido se tenha juntado a ela nestes comportamentos.
Os seus métodos de tortura eram variados e evolutivos, variavam desde o espancamento, a espetar alfinetes ou até deixar as vitimas morrer congeladas no inverno húngaro.
Posteriormente Elizabeth associou o sangue das suas vítimas à sua juventude e beleza começando a tomar banho no sangue de raparigas virgens, não chegando para a satisfazer começaram os atos de vampirismo, ela bebia o sangue das jovens.
Diz-se que nas masmorras do seu palácio havia uma jaula pendurada feita de lâminas onde eram colocadas as vítimas que ao contorcerem-se de dor faziam o seu sangue jorrar para cima da Condessa que tomava banho e saciava a sua sede.

Teve 6 filhos, o primeiro, um bastardo filho de um camponês. Manteve relações íntimas com duas mulheres uma delas alquimista e praticante de magia negra.

Sobre proteção da sua abastada família nunca foi julgada pelos seus crimes, mas foi enclausurada no castelo da família até ao dia da sua morte.

Julga-se que matou mais de 650 jovens entre 1585 e 1609, muitos dos corpos foram escondidos sob o soalho do palácio ou enterrados nas masmorras.

Na imagem acima apresenta-se o brasão de armas da Hungria representado no livro “The ideal Postage stamp álbum” de 1914, Standley Gibsons LTD

 

 

 

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Guerra Civil Irlandesa

proclamação guerra civil irlandesaEntre as estantes cheias de livros, ali estava aquele quadro isolado como se fosse mais importante que o resto e eu, às vezes, ficava a olhar sem o perceber até que um dia lhe perguntei:

– Aquele quadro, o que é?
– Hum, aquele quadro tem um documento muito importante sobre a ilha Esmeralda….
-Ilha Esmeralda? Onde fica essa ilha? Já imaginando barcos e piratas.
– A ilha Esmeralda é a ilha da Irlanda e tem esse nome por causa dos seus prados verdejantes e luminosos que existem durante todo o ano.
– Então, o que diz? Fala sobre esmeraldas? Continuei eu curiosa.
-Não, riu-se ele. Mas fala sobre… sobre… esperança! Informa as pessoas que estavam a chegar tempos difíceis mas seguidos de outros mais brilhantes….
– Sim, estou a perceber. Afinal sempre fala de esmeraldas porque fala da cor verde e do seu brilho!
– Tens razão, anda cá!

Sentando-me no colo dele e não querendo explicar a uma criança o que ela não deveria por enquanto saber, continuou a falar:
– Na Irlanda tudo o que é verde é importante, por exemplo o trevo é um dos seus símbolos nacionais e imagina, dá sorte!

A guerra civil Irlandesa (Cogadh Cathartha na hÉireann) teve início a 28 de junho de 1922 e teve como causa o tratado anglo-Irlandês estabelecido em 1921 que foi negociado entre a Inglaterra e a Irlanda de forma a terminar a guerra pela independência Irlandesa que já durava à dois anos. O tratado veio desafiar as forças republicanas que defendiam a independência de toda a Irlanda e sem vinculação á monarquia inglesa.

Dentro de toda esta conjuntura política destaca-se uma mulher de nome Constance Markievicz.

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Constance Georgine Gore-Booth nasceu no ano de 1868 e foi não só uma pintora mas também uma mulher com elevado destaque na política Irlandesa e Britânica. Casou com Casimir Markievicz e ficou reconhecida como Condessa Markievicz embora esse título nunca lhe tenha sido atribuído.

A Condessa Markievicz ou Condessa Vermelha é recordada como uma mulher de fortes ideais e convicções que lutou activamente para defender o seu país, pertencente a alguns partidos de ideias extremistas como o Sinn Féin and Inghinidhe na hÉireann (Daughters of Ireland), foi uma revolucionaria que fez frente á mãe Inglaterra de armas em punho na Revolta da Pascoa em 1917 chegando a ferir um atirador inglês antes de ser obrigada a render-se.
Foi a primeira mulher a ser eleita para a Câmara dos Comuns em Londres e uma das primeiras mulheres do mundo a ter uma posição ministerial ao ser Ministra do Trabalho da República Irlandesa

Durante a guerra civil Irlandesa lutou mais uma vez activamente pelo seu partido voltando a ser presa em 1923 e foi deputada irlandesa em 1927.

(…)

Dear shadows, now you know it all,
All the folly of a fight
With a common wrong or right.
The innocent and the beautiful
Have no enemy but time;
Arise and bid me strike a match
And strike another till time catch;
Should the conflagration climb,
Run till all the sages know.
We the great gazebo built,
They convicted us of guilt;
Bid me strike a match and blow.

W. B. Yeats, “In Memory of Eva Gore-Booth and Con Markievicz” from The Winding Stair and Other Poems. Copyright © 1933 by W. B. Yeats. Reprinted by permission of Scribner (Simon & Schuster, Inc.).
Source: The Collected Works of W. B. Yeats: Volume I (Macmillan, 1990)

 

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Pensamentos d`Ouro

jonh walker golden thoughts 2.pngDa primeira vez que ele me perguntou quais eram os meus pensamentos dourados, surpreendida  respondi-lhe muito rápido:
– Isso não existe!!!!
– Claro que existem e até há livros com esses pensamentos…
Fiquei fascinada. Eu tinha muitos pensamentos mas dourados não me lembrava de nenhum….
Mas ele continuava a falar lá do alto: 
– Vou mostrar-te um livro tão pequenino como tu mas com grandes pensamentos.
– Vem cá ver, chamando-me ao mesmo tempo que tirava de uma estante um pequeno livro.
– “Golden Thoughts” , Do you see? Vamos ver o pensamento de setembro…
– Diz que para sermos verdadeiros connosco temos primeiro de ser verdadeiros com os outros. Isto é um pensamento importante… dourado!
Pronto, não havia nada a fazer, também eu queria  ter  pensamentos assim… dourados!!!!!

John Walker & Co. Ltd. of Farringdon House, Warwick Lane, E.C., London, England foi uma empresa com início no séc. XIX que tinha como ofício a publicação de mapas, postais, livros, livros de bolso (calendários, blocos de notas, dicionários, atlas) e aparos de canetas.

Acredita-se que o aparecimento dos livros em miniatura tenha ocorrido mesmo antes dos livros em papel, devido à facilidade de transporte e por isso de consulta, os antigos escritos realizados em pedra eram muitas vezes feitos em miniatura.
Uma vez mais práticos estes continuaram a ser utilizados ao longo dos anos e estima-se que o primeiro livro de papel em miniatura tenha sido produzido em Veneza no ano de 1474 com o titulo “Offficium” sendo da autoria de Nicholas Jenson, ainda assim estes livros popularizaram-se no final do séc. XVIII depois da revolução industrial tornar o papel mais acessível.

Durantes todos estes anos de produção podemos encontrar os mais variados temas ou propósitos como por exemplo: almanaques, bloco de notas, livros de contos, calendários, livros de receitas culinárias, atlas, entre outros. Estes livros fizeram parte dos bolsos das mais variadas pessoas e classes e ainda hoje fazem as maravilhas dos leitores.

Links relacionados:

  1. http://www.vintagepostcards.ca/John_Walker.html
  2. https://www.pinterest.pt/deskitems/
  3. http://www.skyscript.co.uk/almanac.html
  4. https://en.wikipedia.org/wiki/Miniature_book
  5. http://www.baymoon.com/~peteranddonna/5-minibooks.htm