Valor

Mulher pirata

Mais uma caixa aberta, lá dentro moedas, muitas moedas. Havia de vários tamanhos e pesos. Havia moedas onde eu conseguia distinguir o que estava impresso, mas havia outras que eram lisas de tanto uso ou até deformadas.

– E esta? É de onde? Perguntava segurando uma das moedas na minha mão.

– Deixa-me ver, esta é de uma ilha chamada Barbados, lá respondia ele com paciência.

– Hum, não conheço…. e voltando a segurá-la revirava-a várias vezes como se às voltas nas minhas mãos ela me falasse sobre ela.

– A ilha está situada entre o oceano Atlântico e mar das Caraíbas e faz parte das Caraíbas. Respondia como se falasse com ele próprio.

– É antiga esta moeda, tem a data 1788, dizia eu verificando que tinha algumas amolgadelas.

– Sim, é dos finais do séc XVIII. É da época dos piratas nas Caraíbas e na verdade parece que levou com um tiro aqui, vês?

 

A sala já tinha desaparecido, apenas o baú das moedas continuava a existir numa realidade paralela em que a areia tinha substituído a carpete antiga,o teto era agora pedra rochosa onde o mar esverdeado embatia de mansinho.

Lá fora viam-se barcos no mar que nos aguardavam.

Ele era um pirata de cabelos brancos à procura do tesouro que anos antes tinha enterrado e eu era uma pequena mulher pirata que recebia das mãos dele o seu legado.

 

Em 1788 foi cunhada em Inglaterra uma moeda de cobre com o valor de um centavo para uso nos Barbados.

Pensa-se que este token foi encomendado por Phillip Gibbs que era proprietário de uma plantação na ilha dos Barbados, por esse motivo tem numa das faces um dos símbolos nacionais, o abacaxi e onde se pode ler “Barbadoes Penny” e a data de 1788 e na outra face tem o busto de um africano com uma coroa de plumas e a palavra “serve”.

Esta moeda existe em dois tipos: um abacaxi pequeno e um busto pequeno; um abacaxi maior e um busto maior. Além destes dois tipos existem mais algumas variantes que incluem o espaço entre caracteres ou diferenças nos desenhos.

A moeda apresentada, será por exclusão a representada na figura em baixo por “P-14”.

Barbados-1788-Original-Die-Varieties (2)

Imagem retirada do Google

 

 

Embora tenha continuado durante mais tempo, os séculos XVII e XVIII, décadas de 1650 a 1730 foram o apogeu da pirataria nas Caraíbas.

A quantidade de mercadoria valiosa que circulava nos oceanos com destino à Europa foi um chamariz para pessoas de carácter duvidoso cujo objectivo era enriquecer facilmente. Muitos desses piratas tinham inclusivamente ganho experiência em navios da marinha sabendo de antemão como proceder para ter vantagens sobre as frotas dos impérios europeus.

Eram tempos de batalhas incríveis no mar, onde se destruiam galeões e se pilhavam tesouros.

As ilhas das caraíbas com as diversas ilhas e as suas praias eram o palco perfeito para essas ações e para guardar os espólios dessas lutas.

Conta-se que existiram duas piratas, capitãs dos seus próprios barcos que foram famosas nas ilhas das caraíbas.

Uma delas foi Anne Bonny nasceu a 8 de março de 1702 na Irlanda, filha bastarda de um advogado que criou fortuna na Carolina do Norte onde adquiriu uma plantação. Enamorada por um pirata de nome James Bonny foi deserdada pelo pai e incendiou-lhe uma das suas grandes plantações por vingança, seguindo viagem já como esposa, para as Bahamas.

Aqui, James tornou-se informador do governador da ilha (Woodes Rogers) enquanto Anne continuou a acompanhar o mundo da Pirataria.

Apaixonou-se por Jack Morim Rackham um dos mais temidos piratas da época. Foi acusada de adultério e fugiu com Morim  para comandar o Revenge e viver da pirataria.

Dizem que se vestia de modo pouco feminino e que era bastante ágil com qualquer espada ou pistola tento como “marca de imagem” a utilização de uma garrucha, dizem que era tão ou mais temida que qualquer pirata masculino.

As recompensas pela captura de piratas eram cada vez mais frequentes, ou não fosse grande o prejuízo causado por estas caças ao dinheiro fácil. Numa noite de festejo, onde o saque anterior teria sido grande, toda a tripulação foi atacada pelas tropas do governador enquanto ainda estavam embriagados e Anne foi capturada sendo lhe prometido a forca.

É nesta altura que o pai de Anne a volta a contactar com grande arrependimento por a ter deserdado e paga aos guardas para que a deixem fugir.

A pirata mais conhecida do mundo nunca mais foi vista, existindo a possibilidade de que tenha voltado para a europa com outra identidade e provavelmente muito ouro para gastar.

Anne Bonny 2

 

 

“Nunca esqueci os dias da minha infância em que costumávamos juntar-nos à roda dos mais velhos da comunidade para escutar o tesouro da sua sabedoria e experiência.”

Nelson Mandela

3 opiniões sobre “Mulher pirata

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