Adereços

Porta-moedas e a Loba de França

Porta moedas séc XVIII

Lembro-me daquele final da tarde de um lindo dia de outono, os dois no terraço sentados nas cadeiras de balouço olhando a serra, em que ele me falava sobre o seu antigo amor:

– Éramos diferentes, dizia ele

– Muito diferentes? Diferentes como? Perguntava, tentando conhecer aquela mulher através das suas palavras.

– Well, todas as pessoas são diferentes, mas nós tínhamos culturas diferentes, a nossa língua mãe era outra e….

– E então, não se entendiam?

– Claro que sim e muito bem. Mas sim, éramos diferentes!

– Até aí já percebi…. E as maiores diferenças quais eram?

– Aah, vou-te mostrar, levantou-se e contornou a casa desaparecendo do meu olhar.

Quando voltou, trazia com ele dois pequenos objectos e colocando um em cada mão tentou explicar-me daquela maneira tão própria.

– Este sou eu, mais sério, mais austero se calhar mais simples…, abrindo uma mão e mostrando-me um porta-moedas antigo de pele.

E de seguida, exibindo na outra mão inconscientemente elevada, um porta-moedas trabalhado em malha de prata:

– E este… era ela…mais divertida, mais imaginativa e mais complicada também!  

– Dizem que as pessoas diferentes se complementam, respondi-lhe eu percebendo que neste caso as diferenças traziam positividade à relação.

– Oh sure, yes!…, e olhando para o verde da paisagem em nossa frente continuou:

– Desde então, sinto o meu coração incompleto e a minha alma esvaziada…

“All good things must come to an end”.

 

Com o aparecimento das moedas apareceram também os recipientes que serviam para as transportar, sendo estes mais simples quanto mais antigos.

O porta-moedas mais antigo de que há conhecimento foi encontrado junto de uma múmia natural europeia conhecida como “Otzi the Iceman” com 5300 anos. Podemos encontrar também sinais destes objectos nos hieróglifos egípcios e são frequentemente vistos na Grécia antiga e mais tarde na época medieval.

É de ressaltar que as civilizações antigas não utilizavam bolsos uma vez que estes apareceram apenas no séc. XVII, transportando-se as bolsas presas na cintura normalmente acopladas aos cintos.

Estes porta-moedas são assim uma fase inicial das malas e carteiras utilizadas hoje em dia e tal como estas, tinham uma função prática e estética.

Podemos encontrar no decurso da História, varias referências que demonstram a utilização destes itens e em alguns casos foram até protagonistas como no escândalo da corte Francesa “Tour de Nesle Affair”

Isabella de França e irmãos.jpg

Em 1314 numa visita a França, Isabella de França (também chamada de Loba de França) e mulher de Edward II de Inglaterra, levou 3 bolsas de seda para entregar como presente aos seus três irmãos Louis, Philip e Charles, também filhos de Philip IV.

Mais tarde noutra visita, a rainha apercebeu-se que dois cavaleiros franceses, Gautier e Philippe d’Aunay utilizavam duas dessas bolsas nas suas vestes e imediatamente comunicou ao seu pai que mandou investigar o facto.

Ao que parece, as princesas estavam a cometer adultério, os cavaleiros envolvidos foram condenados à morte e as princesas presas perpetuamente no castelo Gaillard.

Os porta-moedas apresentados na imagem datam do séc. XIX, sendo um de prata (de mulher) e outro de cabedal (de homem). Eram utilizados no interior dos bolsos como uma forma pratica de guardar as moedas. O seu sistema de fecho é idêntico e característico desta altura, podendo encontrar-se ainda estes  objectos em variados tipos de malhas, materiais e enfeites.

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