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Sweeney todd – o amor por detrás do ódio

Olho-me ao espelho e enquanto ensaio o meu sorriso a única coisa que vejo és tu… Não sei quando me vou voltar a cruzar contigo mas sei que quando acontecer quero simplesmente estar no meu melhor e principalmente quero estar á tua altura, ter todas as respostas e todas as perguntas, não quero perder de vista uma única palavra, quero conseguir decifrar-te no primeiro olhar e quem sabe deixar que tu me percebas ao segundo.

Quero que notes a minha presença, quero ser o foco da tua atenção e discretamente vou mostrar-te que és o meu. Vou sorrir de forma tímida mas apenas porque é a primeira vez que me faço notar e vou esperar que retribuas com esse que é o sorriso mais inocente e deslumbrante do mundo.

Quem sabe não me passo a cruzar contigo todos os dias? E todos os dias vou estar preparado para ti….

simplesmente para ti!

 

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Lâminas Inglesas de barbear de 1800´s

 

Na Grécia antiga dava-se bastante importância á estética masculina e foi aqui que nasceu a necessidade de existir alguém especializado nesta arte de cortar, aparar e cuidar não só o cabelo mas todo o rosto masculino.

A importância do cabelo e barba era tanta que os Sábios a utilizavam para mostrar conhecimento e sabedoria sendo punido aquele que lhe tocasse sem a devida autorização.

As primeiras evidências da barbearia semelhante á que hoje conhecemos têm origem no séc. XVII onde os barbeiros devido às suas claras habilidades manuais não eram apenas barbeiros mas também, dentistas, barbeiros-cirurgiões, veterinários, curandeiros e ainda comerciais viajantes que faziam deles bons contadores de histórias e por isso um ótimo entertainer que conseguia facilmente criar um espaço de socialização.

Com o desenrolar do tempo as cidades começaram a ter as suas próprias barbearias e para muitos foi uma grande oportunidade de primeiro negócio.

Eram locais de variadas funções mas todas eram obrigatoriamente um espaço de paragem para socialização entre os homens da sociedade, sendo utilizadas até para reuniões de negócios ou para encontros da própria máfia.

A primeira cadeira de barbeiro com lugar para os pés e bastante semelhante às cadeiras ainda utilizadas hoje apareceu no ano de 1850 e foi patenteada em 1870 na cidade de St. Louis, Estados Unidos.

E por falar em cadeira de barbeiro quem não se lembra do  famoso basweeneytodd_01rbeiro demoníaco da rua Fleet”?

Sweeney todd nasceu em londres no ano de 1748 e o seu nome era Benjamim Barker, foi aprendiz de barbeiro e como era comum na época também teve acesso a conhecimentos médicos como anatomia e outros menos especializados como por exemplo carteirista que aproveitava o momento relaxante dos clientes para os roubar de forma subtil.

 

Abriu a sua própria loja na rua Fleet e casou com uma linda jovem que era também cortejada pelo juiz da cidade.

Ao ser acusado de roubo e com a inveja do Juiz ele mandou-o para uma prisão Australiana durante 15 anos fazendo com que a sua esposa em desespero se suicidasse. Benjamim volta á cidade procurando vingança e é aqui que nasce a lenda digna de concorrência com “Jack o estripador”.

É uma lenda londrina que fala em mais de 160 mortes.

Benjamim voltou á sua loja na rua Fleet e a senhoria ainda o esperava com todas as suas lâminas guardadas e mais alguns segredos.

Foi na sua própria barbearia que ele degolava os seus clientes e com uma alavanca especial na sua cadeira abria um alçapão fazendo o corpo cair para a cave.36672398_10156583783021204_7141860830278057984_n

A sua amante e dona da loja Sra Loveet utilizava os corpos para fazer as suas tortas, as partes que não eram possíveis de utilização eram deixadas na cave criando ao longo de um tempo um cheiro nauseabundo que levou as autoridades á investigação e consequentemente á detenção do casal.

A primeira vez que a história foi adaptada para o entretenimento foi em 1846 com um romance de nome “The string of pearls” e mais tarde foi levado para os palcos como “ O barbeiro demoníaco da rua Fleet”.

 

“Antes de sair á procura de vingança, cave duas covas” – Confúcio

 

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Maçonaria – Primeira parte

 

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Abri a porta devagarinho, espreitei em silêncio…

Havia algo sinistro naquele quarto, nunca percebi o que era mas a curiosidade de criança ganha sempre à pouca moral que ainda existe.

Passei os bichos que me arrepiam até hoje, os quadros com pedacinhos de mundos a preto e branco e pé ante pé caminhei até à secretária… coloquei a mão sobre o documento com uma textura tão diferente de qualquer outro papel que vi até então…

 Tinha símbolos que não entendia…letras? Números? Desenhos? Oh que papel tão importante deve ser…

Ouvi alguém… ele veio até a mim e com um sorriso disse:

– Não falamos já sobre isto?

Corei…

– Um dia vais perceber, agora não é altura.

Talvez seja das poucas historias que ele nunca contou, talvez seja das poucas coisas que tive de descobrir sozinha, ou talvez não, porque verdade seja dita, ainda não descobri tudo!

Uma coisa é certa, seja por semelhança, por gostos, por proximidades ou apenas por conveniência a sociedade tem a tendência de se dividir em grupos.

Desde pequenos que temos o nosso núcleo familiar ou de amigos, mais tarde partilhamos o nosso tempo com quem tem os mesmos gostos ou interesses, por isso não é difícil acreditar que existam milhares de sociedades secretas às quais não temos acesso… porque não queremos e algumas porque não podemos.

Também sei que no mundo há pessoas de boas e de más intenções, assim não será de estranhar que dentro dos vários grupos possamos ter boas e más pessoas o que me leva a acreditar que nem todas as sociedades secretas são com más finalidades (o que não significa que não tenham membros com esse intuito).

A mais antiga sociedade secreta do mundo é a Maçonaria, teve inicio 1000 anos antes de cristo durante a construção do templo de Salomão e foi fundada pelo chamado “filho da viúva” (Hiram Abiff) que segundo a lenda é o Construtor do Templo de Salomão.

Durante a construção do templo três operários achavam que as plantas da construção tinham também escritas mágicas que lhe iriam conferir poder. Durante a construção sempre exigiram a Hiram que lhes dissesse quais as palavras mágicas, mas este disse que só no final da obra as poderia mostrar.

Os trê31959757_10156441703986204_3531583944862466048_ns homens cercaram as três portas do templo e a cada tentativa de fuga perguntavam a Hiram quais as palavras mágicas. Como sempre recusou-se a dizer, Hiram foi agredido na primeira porta com uma pedra afiada, na segunda com um esquadro de pedreiro e na terceira teve o golpe mortal com um cálice e ao morrer gritou: “quem ajudará o filho da viúva?”.

 

Na lenda, Hiram representa a liberdade de conhecimento, de religião, de politica e os três inimigos são a ignorância o fanatismo e a tirania.

Na realidade é muito mais difícil perceber o surgimento desta comunidade e julga-se que começou por um conjunto de mestres da construção civil (chamados de Maçons) que se uniram para valorizar o seu trabalho e escolherem os seus discípulos, a quem seriam passados os segredos da construção. Com o tempo, estas reuniões passaram a incluir a discussão de várias matérias e ciências.

Nos tempos que corriam, a Igreja era soberana e tudo o que lhe causasse perigo era extinto, assim, as reuniões onde se discutiam ciências (algo tão proibido e desacreditado na época) teriam de ser feitas em segredo, nasceu assim a Maçonaria.

Eram uma união de pessoas que tinham como único intuito a discussão e partilha de todo e qualquer conhecimento independentemente da raça, da religião e da politica.

Desta forma muitas das grandes personagens, conhecidas hoje como grandes cientistas, artistas, revolucionários, idealistas estavam inseridas nesta sociedade secreta não porque se juntaram para planear uma grande conspiração mas sim porque ali tinham a liberdade de discutir as suas ideias e pensamentos com outros Homens com os mesmos interesses e aspirações. Não precisavam de ter medo de expor as suas aprendizagens e os seus estudos, estavam livres para fazer perguntas e procurar respostas sem julgamento ou punições.

A junção de tantas identidades poderosas numa só organização levou ao medo e à criação não só de teorias de conspiração como grupos anti maçons que construíram ao redor desta comunidade um grande número de histórias fictícias e desprovidas de evidencias.

Nos dias de hoje a Maçonaria tem alguns milhões de discípulos espalhados pelo mundo e embora já não exista a necessidade de secretismo ainda existem alguns segredos ou factos sem explicita explicação.

Uma das maiores curiosidades no interior destas comunidades são os rituais de passagem ou de iniciação que sendo tão antigos como a própria podem se tornar estranhos ou até mesmo bizarros. Em tempos antigos, acredito que estes rituais fossem de crucial importância para manter a Igreja (ou qualquer ameaça) fora do círculo comunitário e manter não só o seu secretismo como consequentemente garantir a segurança daqueles que dela faziam parte.

O ritual de iniciação consiste numa morte fictícia em que o discípulo “renasce” como integrante desta comunidade, é realizada com inúmeras regras como por exemplo as vestes e é ainda feito um juramento sobre a bíblia em como não vão passar qualquer informação sobre a ordem para o exterior ou terão de enfrentar a pena de morte, mais especificamente:

“Eu, (nome), juro e prometo, de minha livre e espontânea vontade, pela minha honra e pela minha fé, em presença do Supremo Arquiteto do Universo, que é Deus perante esta assembleia de maçons, solene e sinceramente, nunca revelar quaisquer dos mistérios que sempre ocultarei e nunca revelarei qualquer uma das artes secretas, partes ou pontos dos mistérios ocultos da maçonaria que me vão ser confiados, senão a um bom e legítimo irmão ou em loja regularmente constituída, nunca os escrever, gravar, traçar, imprimir ou empregar outros meios pelos quais possa divulgá-los. Juro também ajudar e defender meus irmãos em tudo o que puder e for necessário,(…). Se violar este juramento, seja-me arrancada a língua, o pescoço cortado, e meu corpo enterrado nas areias do mar, onde o fluxo e o refluxo das ondas me mergulhem em perpétuo esquecimento, sendo declarado sacrílego para com Deus, e desonrado para com todos os homens. Amém”

 

 

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A Maldição …

Palavras que me rasgam

não são plumas…

Não me adornam!

Cada sílaba, cada tom

Uma dor, uma punição…

Palavras que sussurram mágoas

não são penas…

Não as leva o vento!

Essas são amarras, são correntes…

Essas são maldição!

 

 

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O programa apresentado em cima é da Ópera Rigoletto que foi realizada no Coliseu dos Recreios de Lisboa, sala de espectáculos popular situada no centro de Lisboa nas Portas de Santo Antão inaugurada a 14 de agosto de 1890.

Coliseu dos Recreios Lisboa
Imagem retirada do Google

A primeira obra exibida no Coliseu dos Recreios de Lisboa foi uma opereta cómica e a partir de então até aos nossos dias muitas celebridades por lá passaram. O Coliseu dos Recreios  tem a particularidades de apresentar diversos tipos de espectáculos desde música clássica até companhias de circo.

 

Planta Coliseu Lisboa
Imagem retirada do Google

 

Rigoletto é uma ópera de Giuseppe Verdi, baseada na obra de Victor Hugo “Le roi s’amuse” (“O rei diverte-se”) de 1832 em que o autor pretendeu com ela denunciar a corrupção que existia na corte de Luís XII.

A ópera Rigoletto foi estreada em Veneza no teatro “La Fenice” a 11 de março de 1851 após ter sido alterada tanto na própria história devido à censura que não permitiu que esta se referisse ao rei como também no nome que primeiramente teria, “La Maledizione”.

 

Rigoletto
Imagem retirada do Google

Ato I – Cena I

Estamos no século XVI no palácio do duque em Mântua na Itália. É noite e no palácio há luzes e música, no salão decorre um baile. Entre danças e conversas, o Duque de Mântua vangloria-se das suas conquistas e informa que está interessado numa jovem desconhecida que apenas vê aos domingos na igreja. Dela só sabe que um homem qualquer a visita todas as noites porventura seu amante.

Entre os convidados estão no palácio o Conde e a Condessa de Ceprano, o Duque esquecendo-se da jovem desconhecida entrega-se a devaneios com a Condessa deixando o seu esposo apreensivo por saber a fama do Duque de Mântua. É então que Rigoletto, o bobo corcunda se diverte arranjando todas as maneiras possíveis para o Duque conseguir seduzir a Condessa ora dizendo para a raptar ora opinando que deveria executar o Conde.

Alguém na festa insinua que Rigoletto tem uma amante gerando uma risota geral ao mesmo tempo que a notícia passa de boca em boca. Mas surge outro nobre, Monterone que abrindo caminho até ao Duque, acusa-o de ter desonrado a sua filha. Rigoletto que odeia todos os homens como odeia a sua deformidade, desfruta da dor e goza com Monterone imitando a sua atitude desesperada. Monterone exaspera-se e reclama vingança lançando uma maldição em nome da mágoa de um pai e sai do palácio deixando Rigoletto apreensivo e a festa termina.

Ato I – Cena II

É noite, Rigoletto dirige-se para casa da jovem desconhecida quando num beco escuro surge o assassino Sparafucile que lhe oferece os seus serviços. O bobo não aceita e segue caminho até casa de Gilda, sua filha e a única pessoa a quem quer bem.

Rigoletto conta a Gilda as suas desgraças, o seu amor perdido, sua mãe e diz-lhe para nunca sair de casa sozinha e volta a partir. É quando chega o Duque que pagando à governanta consegue conversar com Gilda e mentindo-lhe diz-lhe que é um estudante e que está apaixonado por ela. Gilda inocente também lhe declara o seu amor. Ouve-se barulho lá fora e o Duque foge sem ser visto. Rigoletto que voltava a casa encontra nobres na rua que lhe dizem que vão raptar a Condessa e convidam-no a participar. Os nobres jogam com o bobo, vendam-lhe os olhos, fazem-no dar voltas e voltas e finalmente entram em casa de Rigoletto que só mais tarde se apercebe que afinal a escada que ajuda a segurar é a de sua casa e a mulher levada é a sua filha.

Ato II

No palácio o Duque não sabe onde está Gilda, os cortesãos chegam divertidos dizendo que trouxeram a amante de Rigoletto. Quando o bobo desesperado chega descobre que Gilda está no palácio e roga que lha entreguem. Gilda corre para os braços do pai contando-lhe a verdade. Está apaixonada pelo Duque e esqueceu todos os seus avisos. Rigoletto jura vingança mesmo quando a sua filha lhe pede para não fazer mal ao Duque.

Ato III

Já depois de ter contratado Sparafucile para matar o Duque, Rigoletto leva Gilda de noite, perto da estalagem, casa do assassino Sparafucile e da sua irmã para que esta veja com os seus próprios olhos, o Duque a cortejar outra mulher. O Duque passa cantando alegremente o desprezo pelas mulheres e segue para mais uma aventura amorosa com a irmã de Sparafucile. Rigoletto manda Gilda embora mas esta sabendo que o seu pai mandou matar o seu amado resolve voltar e vai ao encontro do assassino que no escuro a esfaqueia pensando que estava a atacar o Duque. Sparafucile coloca o corpo num saco e entrega-o a Rigoletto que resolve deitá-lo ao rio quando ao longe volta a ouvir o Duque a cantar no regresso a casa. Sem perceber abre o saco e vê a sua filha a agonizar acabando por morrer cumprindo a maldição que lhe foi lançada.

 

I adore art…when I am alone with my notes, my heart pounds and the tears stream from my eyes, and my emotion and my joys are too much to bear.

Giuseppe Verdi

Valor

Mulher pirata

Mais uma caixa aberta, lá dentro moedas, muitas moedas. Havia de vários tamanhos e pesos. Havia moedas onde eu conseguia distinguir o que estava impresso, mas havia outras que eram lisas de tanto uso ou até deformadas.

– E esta? É de onde? Perguntava segurando uma das moedas na minha mão.

– Deixa-me ver, esta é de uma ilha chamada Barbados, lá respondia ele com paciência.

– Hum, não conheço…. e voltando a segurá-la revirava-a várias vezes como se às voltas nas minhas mãos ela me falasse sobre ela.

– A ilha está situada entre o oceano Atlântico e mar das Caraíbas e faz parte das Caraíbas. Respondia como se falasse com ele próprio.

– É antiga esta moeda, tem a data 1788, dizia eu verificando que tinha algumas amolgadelas.

– Sim, é dos finais do séc XVIII. É da época dos piratas nas Caraíbas e na verdade parece que levou com um tiro aqui, vês?

 

A sala já tinha desaparecido, apenas o baú das moedas continuava a existir numa realidade paralela em que a areia tinha substituído a carpete antiga,o teto era agora pedra rochosa onde o mar esverdeado embatia de mansinho.

Lá fora viam-se barcos no mar que nos aguardavam.

Ele era um pirata de cabelos brancos à procura do tesouro que anos antes tinha enterrado e eu era uma pequena mulher pirata que recebia das mãos dele o seu legado.

 

Em 1788 foi cunhada em Inglaterra uma moeda de cobre com o valor de um centavo para uso nos Barbados.

Pensa-se que este token foi encomendado por Phillip Gibbs que era proprietário de uma plantação na ilha dos Barbados, por esse motivo tem numa das faces um dos símbolos nacionais, o abacaxi e onde se pode ler “Barbadoes Penny” e a data de 1788 e na outra face tem o busto de um africano com uma coroa de plumas e a palavra “serve”.

Esta moeda existe em dois tipos: um abacaxi pequeno e um busto pequeno; um abacaxi maior e um busto maior. Além destes dois tipos existem mais algumas variantes que incluem o espaço entre caracteres ou diferenças nos desenhos.

A moeda apresentada, será por exclusão a representada na figura em baixo por “P-14”.

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Imagem retirada do Google

 

 

Embora tenha continuado durante mais tempo, os séculos XVII e XVIII, décadas de 1650 a 1730 foram o apogeu da pirataria nas Caraíbas.

A quantidade de mercadoria valiosa que circulava nos oceanos com destino à Europa foi um chamariz para pessoas de carácter duvidoso cujo objectivo era enriquecer facilmente. Muitos desses piratas tinham inclusivamente ganho experiência em navios da marinha sabendo de antemão como proceder para ter vantagens sobre as frotas dos impérios europeus.

Eram tempos de batalhas incríveis no mar, onde se destruiam galeões e se pilhavam tesouros.

As ilhas das caraíbas com as diversas ilhas e as suas praias eram o palco perfeito para essas ações e para guardar os espólios dessas lutas.

Conta-se que existiram duas piratas, capitãs dos seus próprios barcos que foram famosas nas ilhas das caraíbas.

Uma delas foi Anne Bonny nasceu a 8 de março de 1702 na Irlanda, filha bastarda de um advogado que criou fortuna na Carolina do Norte onde adquiriu uma plantação. Enamorada por um pirata de nome James Bonny foi deserdada pelo pai e incendiou-lhe uma das suas grandes plantações por vingança, seguindo viagem já como esposa, para as Bahamas.

Aqui, James tornou-se informador do governador da ilha (Woodes Rogers) enquanto Anne continuou a acompanhar o mundo da Pirataria.

Apaixonou-se por Jack Morim Rackham um dos mais temidos piratas da época. Foi acusada de adultério e fugiu com Morim  para comandar o Revenge e viver da pirataria.

Dizem que se vestia de modo pouco feminino e que era bastante ágil com qualquer espada ou pistola tento como “marca de imagem” a utilização de uma garrucha, dizem que era tão ou mais temida que qualquer pirata masculino.

As recompensas pela captura de piratas eram cada vez mais frequentes, ou não fosse grande o prejuízo causado por estas caças ao dinheiro fácil. Numa noite de festejo, onde o saque anterior teria sido grande, toda a tripulação foi atacada pelas tropas do governador enquanto ainda estavam embriagados e Anne foi capturada sendo lhe prometido a forca.

É nesta altura que o pai de Anne a volta a contactar com grande arrependimento por a ter deserdado e paga aos guardas para que a deixem fugir.

A pirata mais conhecida do mundo nunca mais foi vista, existindo a possibilidade de que tenha voltado para a europa com outra identidade e provavelmente muito ouro para gastar.

Anne Bonny 2

 

 

“Nunca esqueci os dias da minha infância em que costumávamos juntar-nos à roda dos mais velhos da comunidade para escutar o tesouro da sua sabedoria e experiência.”

Nelson Mandela

Valor

Amar apenas amar

Amar por te ver, por te conhecer

Amar por te escutar, por te respeitar

Amar só porque sim

Amar assim mas amar!

Amar com dor, amar com ardor

Amar sem querer amar

mas amar apenas amar…

 

 

Os selos do rei D. Pedro V com cabelos anelados foram emitidos em 1856 e tiveram como objectivo substituir os selos anteriores emitidos um ano antes (D Pedro V cabelos lisos) para rectificar o cabelo do rei que aparecia no selo com o risco do lado direito.

Foram emitidos 20 milhões de selos de 5 reis em castanho, de 25 reis em azul foram emitidos dois tipos diferentes (2,5 milhões do tipo A e 6,3 milhões do tipo B) e mais tarde foram emitidos 22,3 milhões de selos em rosa de 25 reis.

 

 

Estes selos à semelhança dos anteriores foram impressos um a um, dispostos irregularmente em folhas de 24 exemplares com cunho desenhado e gravado por Francisco de Borja Freire aproveitando as mesmas cercaduras da emissão anterior.

Estes selos foram reimpressos em 1864, 1885 e 1905.

 

D Pedro V e D Luis I
D Pedro V (de vermelho) – Foto retirada da internet

Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Victor Francisco de Assis Júlio Amélio, nasceu a 16 de Setembro de 1837 em Lisboa no Palácio das Necessidades, filho de D. Maria II e de D. Fernando.

Teve uma educação moral e intelectual esmerada, estudando entre outras disciplinas , ciências naturais, filosofia, escrita e línguas. Desde cedo demonstrou ter notável inteligência e se aos dois anos falava alemão e francês aos doze anos dominava o grego e o latim sabendo também falar inglês.

Teve como educador Alexandre Herculano.

Viajou para diversos países e tentou trazer para Portugal a modernidade e evolução que encontrava nestas viagens, era liberal e inovador mas também caridoso e preocupado com o seu povo. Inaugurou o primeiro telégrafo em Portugal assim como o caminho de ferro entre lisboa e o carregado e era apelidado de “O rei Santo” porque se recusou a sair de lisboa durante as epidemias de cólera e febre amarela de 1853 a 1857 onde prestou auxilio direto às vitimas e criou o asilo D. Pedro V para acolher os seus órfãos , dando-lhes instrução primária e ensinando-lhes um oficio.

D. Pedro V

Maior que a sua história de rei é a sua história de amor…

D. Pedro V não tinha grandes interesses matrimoniais, recusando a sua primeira prometida esposa mas aceitando por fim a segunda, Estehânia de hohenzollern-Sigmaringen.

O casamento foi a 18 de maio de 1858, na Igreja de São Domingos, em Lisboa. Toda a cidade estava pronta para receber o evento assim como os aposentos da nova Rainha de Portugal. Diz-se que o rei mandou vir de Paris toda a nova decoração dos aposentos reais de D. Estefânia.

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Casamento de D. Pedro V – Foto retirada da internet

Como se toda a sua atenção não fosse por si só suficiente, para agradar a sua futura esposa D. Pedro V manda fazer uma das joias mais caras da Coroa Portuguesa em seu nome e propositadamente para o seu casamento. Um diadema com mais de 4.000 diamantes e é aqui, que segundo o povo, o infortúnio desta historia de amor começa.

D Pedro V D Estefânia

Na época os diamantes não deveriam ser utilizados por mulheres virgens no casamento e como se isso não fosse já um presságio, a joia era de tal maneira pesada que fez uma ferida aberta na testa da Rainha. Ao sair do seu casamento com sangue a escorrer o povo ditou a sua sentença: “Ai coitadinha…vai morrer! Vai amortalhada”, e assim foi, um ano após o casamento, com apenas 22 anos de idade a rainha faleceu de difteria que terá sido contraída numa inauguração de caminhos de ferro no Alentejo.

Mas as peculiaridades da história não ficam por aqui…

Existem alegados relatos de que D. Estefânia permanecia virgem à data da sua morte (baseados na sua autopsia post mortem) . Ao que parece D. Pedro V era um homem solitário, de poucas amizades, e aquilo que procurou na princesa não foi um amor carnal mas sim uma companhia, um amor incondicional.

Longos eram os passeios dados pelos jardins do palácio e quem os vislumbrava, de constante mãos enlaçadas, podia constatar que esse amor existia, essa cumplicidade, esse sentimento de companhia e de entreajuda mas nunca foi gerado um herdeiro ao trono e por isso há ainda quem diga que D. Pedro era impotente.

No dia do enterro D. Estefânia levava consigo a tão preciosa joia que à chegada ao local foi trocada por uma coroa de flores de laranjeira… a joia, no valor de 86.953,645 reis nunca mais foi vista.

D. Pedro não conformado com a perda do seu grande amor acabou por morrer a 11 de novembro de 1861, aos 24 anos. Morreu de febre-tifoide que contraiu por beber água contaminada durante uma caçada juntamente com o seu irmão D. Fernando.

D. Estefânia e D. Pedro V jazem no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

 

“Realidade ou desejo incerto, o amor é o elemento primitivo da atividade interior; é a causa, o fim e o resumo de todos os defeitos humanos.”

Alexandre Herculano

 

Acabei por ter
Um fraco por ti
Que foi como veio
E eu não percebi

Pergunto como está
A velha certeza
Será que tu sabes
O que correu mal

É que hoje eu já sabia dizer

Ama-me
Leva-me
Para lá
Do meu horizonte
Fala-me de amor
Fala-me de amor

Segue-me
Prende-me
Para lá
Do meu horizonte
Fala-me de amor
Fala-me de amor

Quero-te dizer
Que ainda estou aqui
Todo o tempo
À espera de ti

Quero-te alcançar
E eu estou a pedir
P’ra ser como era
Quando te conheci

Fala-me de amor (Santos e Pecadores)

 

 

Locais onde o tempo tem história

…mais brilhante que o sol

Um dia simplesmente parei. 

Tudo foi feito para eu voltasse a caminhar

mas o mundo prosseguia sem mim

sem que eu voltasse a andar.

Até que ela com fé, prometeu

e o mundo continuou a avançar

e eu com ele avancei…

 

Cisnes no céu 3

Hoje há anjos no céu transportando nas asas fé e esperança.

Em terra, milhares de peregrinos terminaram as suas  jornadas de remição e chegaram a 13 de maio a Fátima.

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Santuário de Fátima (Imagem retirada do Google)

 

A 13 de maio de 1917 Nossa Senhora fez a primeira aparição a três crianças que guardavam os seus animais identificando-se como Senhora do Rosário.

Lúcia de 10 anos, Francisco de 9 e Jacinta de 7 anos afirmaram ter visto sobre uma pequena azinheira”…uma Senhora vestida de branco e mais brilhante que o Sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente…”.

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Nossa Senhora do Rosário de Fátima (Imagem retirada do Google)

Lúcia conseguia falar com a Senhora, Jacinta ouvia-A e Francisco apenas A via.

A Senhora disse-lhes que vinha do céu e que iria voltar mais vezes, pedindo-lhes que voltassem novamente no mês seguinte no dia 13.

Assim começaram as peregrinações à Cova de Iria, o Santuário recebe milhões de visitantes por ano e milhares de pessoas efetuam a viagem a pé pagando promessas que efetuam a Nossa Senhora do Rosário de Fátima ou caminham apenas por devoção.

 

São várias as promessas feitas…Há quem percorra toda a viagem em silêncio, quem transporte a cruz e ainda quem a faça inteiramente descalço. Vêm de todas as partes do país e até do mundo para agradecer á Santa e pagar a promessa feita, havendo ainda aquelas que são pagas pela queima de velas que existem no próprio santuário

 

Mas antes de ir embora, a Senhora ainda pediu aos pastorinhos que rezassem o terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.

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Colar em prata em forma de terço

O Rosário é um instrumento de oração utilizado pelos católicos romanos. Está dividido em três partes que são os Terços e cada Terço tem cinquenta contas.

Um Terço tem cinco mistérios: os Mistérios Gozosos, os Mistérios Dolorosos, os Mistérios Gloriosos e os Mistérios Luminosos, que são períodos importantes e diferentes da vida de Jesus e da Virgem Maria.

Mas o Terço reza-se por dezena ou seja, por cada mistério da vida de Cristo, um Pai-Nosso e por cada dez contas (dez Avé-Marias). No fim uma Salvé-Rainha.

Procissão das velas
Procissão das velas – Fátima (Imagem retirada do Google)

A palavra Rosário quer dizer Coroa de Rosas. Diz-se que a Virgem Maria revelou que por cada vez que se reza uma Avé Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas.

 

Documentos

Édouard Manet no Dia da Mãe

Contigo aprendi tudo  que sei…Aprendi a andar, comer, a ler e escrever mas aprendi também o mais importante…aprendi a VER!

Hoje eu vejo mais de 100 cores diferentes numa paisagem, vejo o sentimento numa pintura ou até o sentido de um poema sem nexo.

Hoje eu consigo ouvir cada instrumento, por si só, de toda uma orquestra ou de uma floresta inteira…consigo ver a historia de um objeto banal e apreciar o mar como se de ouro se tratasse…

Hoje eu percebo quem sou porque TU me ensinaste. Sou o que quiser ser, sem limites nem restrições, sou o vento e todas as cores.

Só com uma regra: Nem 8 nem 80.

Feliz dia da mãe, para a melhor do mundo! 

 

 

Nasceu a 23 de Janeiro de 1832 e foi um dos mais importantes pintores parisienses, foi um impulsionador do movimento impressionista na pintura que contrastou com o realismo apreciado na época.

Filho da burguesia e sem um grande entusiamo para a aprendizagem, cedo descobriu o amor pelas artes e iniciou a sua viagem sendo discípulo de  Thomas Couture  onde durante 6 anos teve a oportunidade de aprender técnicas de pintura e reproduzir obras expostas no Louvre . Com uma diferente perspetiva do mundo, Manet utilizava a luz e as cores de uma forma livre, sem restrições académicas o que lhe proporcionava um grande número de críticas e desvalorizações. 

O seu tipo de pintura destoava dos gostos da sociedade e por isso mesmo as suas pinturas foram muitas vezes rejeitadas dos grande salões de exposições que lhe dariam visibilidade e fama. Em 1859, Manet envia o seu primeiro trabalho ao Salão de Paris (“O Bebedor de Absinto”) que foi quase que automaticamente rejeitada, só no ano de 1861 ele conseguiu um lugar na exposição com o quadro “O Cantor espanhol” 

 

 

 

Neste estilo é pretendido representar todos os tons que são refletidos pela luz, tornando o quadro mais vivo mas nem por isso mais definido, a linha que define as formas não é utilizada porque na realizada ela não existe, o que torna toda a pintura difusa mas percetível, a sombra é luminosa e criada não só pelos tons mas também pelas próprias pinceladas que como grande característica deste estilo são sobressaídas oferecendo ao quadro não só um efeito estético como físico sendo também uma marca deixada pelo próprio pintor, quase tão distinta como a própria assinatura. As cores não são formadas por mistura mas sim utilizadas individualmente em diferente camadas, em diferentes pinceladas, até atingirem o objetivo do pintor. É usual a utilização da natureza e de cenas banais mas reais da sociedade, sem o acrescento de floridos ou disfarces, é a simples verdade retratada por quem a vê.

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Em 1852 teve um filho bastardo de nome Leon Manet, a mãe era uma professora de piano com nacionalidade holandesa, Suzanne Leenhoff, que foi contratada para lhe dar aulas pelos pais que se opuseram fortemente ao seu namoro. Só com a morte de seu pai, Edouard casou com Suzanne mas nunca reconheceu Leon como seu filho talvez porque existem rumores de que afinal ele não seria seu filho mas sim seu irmão.

 

 

Nestes dois quadros, ambos de Suzanne, podemos verificar as diferenças entre o quadro mais classico e mais aproximado do que seria de esperar na época e o quadro de movimento impressionista. O primeiro foi pintado sendo Suzanne sua amante e num inicio da sua carreira verificando-se que a apresentação da mulher se assemelha ás ninfas muito apreciadas na altura, com contornos rijos e fixos mas com tons uniformes e delicados onde a natureza ganha um aspeto quase mágico. No segundo, vemos Suzanne já como sua esposa e por isso mesmo numa fase mais avançada da sua pintura onde conseguimos distinguir facilmente as características principais do impressionismo e consequentemente da técnica que tanto o diferenciou dos restantes pintores desta era.

Édouard Manet falaceu de sífilis em 1883, com 51 anos e está enterrado no Cemitério de Passy em Paris. 

Deixou uma marca no mundo da arte, iniciou uma nova perspetiva e influenciou diversos artistas, com ele nasceu uma nova era e hoje os seus quadros podem valer milhões.

Em Portugal podemos ver alguns exemplares deste pintor no museu Calouste Gulbenkian como por exemplo: “As bolas de sabão”, 1867 e “O rapaz das cerejas”, 1843 que são pinturas que retratam Leon Manet.

 

 

 

“A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível.”

Leonardo da Vinci

 

Locais onde o tempo tem história

Mil e uma fantasias

Chegava os primeiros dias quentes do ano. Eu pequena, já antes do jantar afirmava que o calor era muito e que deveríamos sair para o jardim para refrescar.

Na serra durante o dia, várias tonalidades de verde reluziam ao sol, eram verdes exuberantes que se apresentavam orgulhosamente emoldurados pelo céu azul que cada vez mais profundo se juntava ao mar que eu não via, mas sabia lá estar.

 

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Palácio de Monserrate visto de Galamares (imagem retirada do Google)

Anoitecia devagarinho e era na noite que surgia a maior magia daquele lugar.

Acendiam-lhe as luzes e no meio da serra surgia relembrado o palácio imponente, imaginário, surreal.

À hora permitida lá ia eu, feita senhora devagarinho saía à rua, mas na alma levava pressas de criança para o poder apreciar. 

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Palácio de Monserrate visto de Galamares (Imagem retirada do Google)

Depois à noite não dormia, entre personagens inventadas lá estava eu desenhada como princesa real…

Ai que devaneios que eu tinha! O que o palácio me fazia…

 

“Quantos luares eu lá vi?
Que doces manhãs d’Abril?
E os ais que soltei ali
Não foram sete mas mil!”
(Os Maias)

 

Sintra é património da humanidade pela conjugação da sua paisagem natural com os monumentos existentes, entre eles o Palácio de Monserrate situado numa das encostas da Serra de Sintra.

Dizem que no séc. XII foi construido em Monserrate um santuário sobre o túmulo de um cavaleiro (árabe?) que o povo venerava. No séc. XVI, foi construída uma capela no mesmo local em honra de Nossa Senhora de Monserrate.

A partir do séc. XVIII a quinta de Monserrate passou a pertencer ao 36º Vice-Rei das ìndias, caetano de Melo e Castro, pertencendo aos seus descendentes até meados do séc. XIX. Durante esse periodo foram efetuadas várias obras e o edifício assemelhava-se a um castelo com duas torres, tendo havido cuidados também na envolvência paisagistica criando um ambiente de atmosfera romântica que a própria serra o exigia.

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Desenho de W. Baker, gravado e publicado por John Wells em 1793. (Imagem retirada do Google)

Foi em 1856 que a quinta foi adquirida por um milionário inglês Sir Francis Cook, mais tarde Visconde de Monserrate que envolvendo arquitetos, botânicos, jardineiros e paisagistas, transformou o palácio e os seus jardins num local mágico.

Nos jardins foram colocadas mais de 3 mil espécies diferentes de vegetação exuberante trazida de vários lugares do mundo, formando clareiras, relvados e bosques e o palácio foi reconstruído num estilo neogótico com uma torre circular, cúpulas e vários arcos em ogiva.

Na sua decoração passou a haver dourados e pedras mármore rosas e brancas, arabescos e rendilhados num estilo indo-persa que o transformou definitivamente num palácio das mil e uma noites. Foi em 1978 que o estado português comprou o Palácio de Monserrate passando este a ser Imóvel de Interesse Público e podendo ser visitado pelo público.

 

 

 

“On sloping mounds, or in the vale beneath,
Are domes where whilom kings did make repair;
But now the wild flowers round them only breathe:
Yet ruined splendour still is lingering there.
And yonder towers the prince’s palace fair:
There thou, too, Vathek! England’s wealthiest son,
Once formed thy Paradise, as not aware
When wanton Wealth her mightiest deeds hath done,
Meek Peace voluptuous lures was ever wont to shun.”

1809, Lord Byron (Monserrate)

Childe Harold’s Pilgrimage, Canto the First XXII

 

 

Objetos

Inocência perdida

Adorava aquela sala, figuras de animais imponentes que só ali podia ver de tão perto. Havia peças feitas de osso, de pele ou de marfim. Para mim eram provas das suas existências em lugares longínquos que na minha imaginação visitava.

Ele orgulhoso mostrava-me as peças herdadas da família. Foi o meu avô que trouxe de África ou ofereceu-me o meu pai quando chegou daquela viagem… Eu sorria-lhe grata por tudo o que ele me dava a conhecer.

Aquela peça destacava-se, no meu imaginário grupos de elefantes passeavam calmamente pelas savanas africanas numa vida tranquila ora comendo vagarosamente ora bebendo nos grandes rios sob um grandioso pôr de sol.

Marfim (3)

Nunca me contou a triste verdade, talvez porque nunca o tenha pensado ou então porque eu era jovem demais para o saber.

Mas um dia ela surgiu agressiva, brutal derrubando os meus sonhos e acabando com a minha inocência expondo-me cruelmente aos fatos. Não conseguia ver tudo o que havia para ver tal o horror dessa verdade.

Desde esse momento sempre que olho para essa peça não vejo a beleza que via, não lhe toco como tocava, sinto apenas dor e guardo-a comigo para nunca me esquecer e poder mostrar aos outros, não a beleza como me mostraram, mas a desumanidade.

 

Imagino a vida daqui a vários anos…

Vida haverá?

Quando tenho o que tenho?

Quando mato por matar…

Quando me deslumbro com o mal?

 

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Imagem retirada do Jardim Zoológico de Lisboa

 

Diz a lenda que numa cidade viviam sete sábios cegos, que davam conselhos a todas as pessoas que os consultavam para resolver seus problemas. Os homens eram amigos, mas mantinham uma competitividade acirrada, e acabavam discutindo o tempo todo para evidenciar quem era mais sábio.

Um dia, depois de uma conversa cansativa sobre a Verdade, o sétimo sábio aborreceu-se e resolveu ir embora para as montanhas, e disse aos amigos:

– Somos homens cegos e talvez possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. Mas vocês ficam discutindo como se quisessem ganhar uma aposta, um jogo. Estou cansado dessa competição! Vou-me embora.

Um dia, um comerciante chegou à cidade montado num belo elefante africano. As pessoas nunca tinham visto um animal daquele porte, nem mesmo os sábios cegos conheciam aquele animal, e todos saíram à rua para vê-lo. Os cegos rodearam o elefante para tocá-lo e o primeiro sábio apalpou a barriga do animal e disse:

– É muito parecido com uma parede!

O segundo sábio, tocando nas suas presas, corrigiu-o:

– É muito parecido com uma lança!

O terceiro sábio, que segurava a tromba do elefante, retrucou:

– É muito parecido com uma cobra!

A mão do quarto sábio acariciava o joelho do elefante, e o sábio contestou:

– É muito parecido com uma árvore!

O quinto sábio gritou, quando mexia nas orelhas do elefante:

– É muito parecido com um abano!

O sexto sábio irritado rebateu:

– Todos vocês estão errados! O elefante é muito parecido com uma corda! – disse, tocando a pequena cauda do elefante.

E, alvoroçados, os seis sábios ficaram discutindo. Até que o sétimo sábio cego, descendo das montanhas, apareceu conduzido por uma criança. Ao ouvir a contenda, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e iludidos ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:

– É assim que os homens se comportam perante a verdade. Conhecem apenas uma parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!

(história adaptada de Heloisa Prieto e John Godfrey Saxe) – http://www.esalq.usp.br/visoes-da-ciencia/vc-a-lenda

Elefante-africano (Loxodonta africana)

É o maior animal terrestre, o seu peso varia entre 4 a 6 toneladas e mede em média 4 metros sendo o macho maior que a fêmea.

Este animal pode levantar até 10 toneladas e ingere em adulto entre 150 a 300 kg de vegetais por dia.

O elefante africano vive em família e é a fêmea mais velha que lidera. A comunicação é efectuada através de sons.

O intervalo mínimo entre nascimento é de 4 anos e as crias são amamentadas durante 2 anos.

Todas as fêmeas participam na proteção das crias.

Esta espécie como muitas outras está em via de extinção sendo a causa principal o tráfego das suas presas. Existem ainda outros fatores que contribuem para o declínio da espécie como diminuição do seu habitat.

A utilização do marfim para o fabrico de peças e joias não é de hoje e pode-se dizer que já na pré-história este material era utilizado pelas populações devido à sua beleza e pelo seu fácil manuseamento e resistência embora com uma conotação muito distinta da de hoje.

A convivência entre elefantes e humanos sempre foi complicada uma vez que a sua força bruta pode levar à destruição de colheitas, aldeias e até vidas, assim, num mundo “saudável”  e equilibrado a caça seria um forma de manter a população de elefantes controlada, as aldeias a salvo e ainda contribuía para a alimentação por vezes escassa das tribos residentes. As presas eram retiradas ao animal caçado e exibidas como um trofeu onde o caçador mostrava a audácia e a coragem por ter enfrentado a fera e ter ganho, mas com a exportação e os preços elevados da venda do Marfim essa caça deixou de se fazer por necessidade e sim por dinheiro levando à morte de centenas de animais com um único propósito: o lucro!

Para a preservação desta espécie, a proibição da comercialização de peças de marfim tem sido um dos instrumentos mais eficazes, existindo já em inúmeros países.

Em Portugal é proibido comercializar peças que tenham menos de 40 anos sendo necessário que estas estejam devidamente certificadas.

A proibição da comercialização do marfim chegou agora a países como a China e o Reino Unido, indo este país impor uma das mais rigorosas proibições deste comércio.

É fundamental perceber que sem a compra não existe venda e consequentemente podemos salvar a vida destes e de outros animais que fazem a nossa Terra o planeta mais especial e único de todo o universo.

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“The greatness of a nation can be judged by the way its animals are treated.”

Mahatma Gandhi

Objetos

A caixa dos segredos – Maki-e

 

Caixa Maki-eGuardo o que é magico, só o que é magico…

Ela não é dourada mas tudo o que guarda é o que de mais valor tenho….

Guardo a minha primeira visão de ti mas também a ultima…

Guardo o meu amor e a minha esperança, que um dia possamos recuperar tudo o que aqui guardei…

Guardo para todo o sempre, na minha caixa dos segredos.

Uma das técnicas japonesas que mais impressionam o Ocidente é a utilização de laca na decoração de diversos materiais como madeira ou porcelana. Estes objetos cativam a atenção não só pelo maravilhoso brilho originado pela polida superfície da laca mas pelo elevado número de pormenores minuciosos que são inscritos pelos artesões nestas peças muitas vezes com recurso a materiais preciosos e totalmente fabricados de forma manual.

Dentro da utilização da laca existem diversas técnicas que embora tenham uma base idêntica vão se distinguir pelos materiais que são utilizados nos acabamentos ou pela forma como estes são inseridos na peça.

A seiva extraída é utilizada como um verniz, é aplicada camada a camada (com longos períodos de secagem em condições controladas a nível de calor e humidade) formando uma cobertura polida e resistente que muito se assemelha ao plástico artificial, dependendo da técnica e do artesão um objeto finalizado pode levar mais de 20 camadas de laca.

A seiva retirada é translucida pelo que são inseridos pigmentos, os mais comuns nesta técnicas são os pigmentos vermelhos ou pretos.

É aqui que podemos dividir este processo em diferentes técnicas, entre as mais conhecias estão:

HarigakiSobre um fundo de uma só cor os efeitos são originados pela passagem de um objeto pontiagudo que retira a laca do local pretendido.

kimmaO mesmo processo acima descrito mas o espaço livre é preenchido com laca de outra cor (sendo muito usual ver se o vermelho e preto).

heidatsu São inseridos diversos materiais na decoração como metais preciosos ou semi-preciosos, coral, porcelana, marfim e mais comum no Japão carapaça de tartaruga.

maki-eNesta tecnica, muito apreciada e extramente comum dentro da decoração japonesa, o objeto é envernizado de uma só cor sendo os motivos feitos com uma laca de cor contrastante e finalizada com pó de ouro.

Nas peças mais elaboradas podem ser utilizadas mais do que uma técnica.

laca japonesa
Técnicas:  hiramaki-e, takamaki-e, tsukegaki, harigaki, chinkin, chingin y nashiji-e (http://revistacultural.ecosdeasia.com/la-laca-japonesa-urushi-i-definicion-elaboracion-y-tecnicas/)

Urushi (Rhusvernicifera ou Toxicodendron vernicifluum)  é o nome da arvore de onde é recolhida a seiva, cresce apenas nas zonas costeiras da China, Japão e Coreia tendo a particularidade de ser extremamente venenosa.  A sua seiva pode provocar graves lesões na pele se em estado liquido e por isso tem de ser manuseada com extrema cautela.

A seiva é tão resistente quando seca que pode mesmo ser utilizada para reparação de cerâmicas e madeiras.

Devido ao seu efeito de plastificação e á sua capacidade de envenenamento lento esta seiva foi em tempos utilizada por monges que acreditavam na Auto mumificação conhecidos como Urushi tree monks. Os monges mantinham uma dieta de bagas e sementes durante três anos para perderem toda a gordura corporal e posteriormente bebiam chá feito da seiva de Urushi perdendo toda a água corporal pela diarreia e os vómitos causados, fechavam-se num túmulo na posição de lótus apenas com um tubo para respirarem e um sino que tocavam todos os dias para confirmar que ainda estavam vivos. Quando o sino deixa-se de tocar o tubo era retirado e o túmulo ficava fechado durante três anos. Se o monge conseguisse a sua auto mumificação era venerado com um Buddha.

 

A seiva ajudava não só na perda de líquidos, mas na plastificação do corpo e no envenenamento do mesmo que causava a morte e protegia o corpo da decomposição. Esta prática foi realizada durante mais de 1000 anos até ser proibida pelo governo japonês.

“Não há segredos que o tempo não revele” –  Jean Racine