Faianças

Chá e Deuses

bandeja indiana antiga

Cinco batidas ritmadas no velho relógio de parede.

Fiquei alerta, pouco depois a porta do escritório abriu-se.

Ele olhou para mim e perguntou:

– Os trabalhos estão feitos?

– Quase, quase… respondi, mas com o olhar já perdido na outra mesa onde o chá me esperava.

– Vá, faz uma pausa e vem lanchar, chamou-me risonho.

Levantei-me e observei o ritual:

A toalha bordada, as chávenas de porcelana colocadas frente a frente com as pequenas colheres ordenadas em cada um dos pires, os guardanapos dispostos ao lado, os pratinhos com pãezinhos e a bandeja com o bule fumegante e o açucareiro.

Já sentada, o bule foi levantado e na bandeja surgiram flores estranhas de curvas retorcidas e Deuses que pareciam dançar para mim bailados excêntricos em cerimónias complicadas.

O chá deixou de ser apenas chá… de dento do bule saíram melodias estranhas e cheiros de especiarias exóticas e da minha chávena surgiram pétalas de flores perfumadas que em diferentes cores esvoaçaram pela sala até o meu chá arrefecer…

(…)

Esta bandeja é característica de Moradabad na India, uma cidade situada nas margens do Rio Ramganga com cerca de 679 mil habitantes e que tem o costume de trabalhar os metais para fabricar peças como bandejas; potes, vasos; esculturas, joias e outras peças de decoração e utensílios.

Não se sabe ao certo como nasceu a tradição de trabalhar os metais, mas existem registos que dizem que o solo da região era propício para a formação de moldes de barro necessários para moldar o latão.

A técnica utilizada tem o nome de “cera perdida” e consiste em desenhar e moldar a peça em cera de abelha e cobri-la com argila como contra molde, posteriormente a argila vai ao forno para endurecer e a cera de abelha derrete, deixando espaço para inserir o metal fundido que ganha a forma pretendida. Em frio, a argila é partida e deixa o metal a descoberto.

A primeira exportação destas peças foi para o Reino Unido em 1857, uma vez que o primeiro interessado nesta arte foi um colecionador de nacionalidade inglesa. Ao verificar a rentabilidade deste ofício o número de artesãos cresceu continuamente.

Hoje Moradabad é conhecida como Peetal Nagri (Terra do latão) e as suas peças são exportadas para todo mundo, existindo no local mais de 600 exportadores e 5000 fabricantes.

Nesta bandeja de inícios do séc. XX de inspiração Hindu podemos ver uma representação da deusa Durga e do deus Hanuman.

bandeja indiana sec.19

Hanuman é para o hinduísmo um ser imortal, uma reencarnação da deusa Shiva, filho do vento e de Sri Anjanna, leal servo do Deus Sri Rama. Tem uma forma símio humanoide, é adorado por milhões de pessoas na India e simboliza a força, a positividade, a devoção e a dedicação.

Durga por sua vez é um dos deuses mais conhecidos do Hinduísmo e é retratada como “A Invencivel”, mulher de Shiva e por isso madrasta de Hanuman é ela quem caça os demónios, as forças do mal presentes na crença Hindu.

Shiva Indian Tray

 

É geralmente acompanhada de uma espada como símbolo de sabedoria, um tridente denominado de trishula, arma com a qual destrói a ignorância humana, a concha que representa o som universal (OM) e o tigre que insinua força, destruição e determinação.

No Hinduismo podemos encontrar os mantras: poemas em sânscrito, místicos e religiosos que são recitados ou cantados de forma repetitiva e que têm como objetivo auxiliar na meditação. Os mantras são escolhidos consoante o Deus a que se reza e consequentemente a ajuda necessária.

O mantra “Jai mata Kali kay mata Durge” é direcionado á deusa Durge e ajuda a ultrapassar obstáculos, a defender do mau olhado, do orgulho e dá força para combater ataques inimigos.

 

Este Post teve o contributo do blog: https://rekhasahay.wordpress.com/

 

 

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O Livro: βιβλία

Cumpri o que te prometi… ou quase

Percorri todos os teus castelos ou quase todos

Abri todas as tuas masmorras ou quase todas

Conheci tudo o que havia para conhecer ou quase tudo…

Abracei as tuas memórias

Fiz delas as minhas recordações também!

Nada se dissipou ou quase nada

Cumpri o que te prometi… ou quase

Desculpa, mas o tempo às vezes vence

Mas não vence tudo nem vence sempre…

 

universal family bible.png

Foi escrito por mais de 40 autores, possui aproximadamente 3.566.480 de letras, 773.692 palavras, 1189 capítulos e 31.102 versículos. O seu nome vem do grego “βιβλία” que significa livro, foi traduzido parcialmente em 1500 línguas e é o livro mais editado, comprado e lido do mundo.

Nas fotografias podemos ver um exemplar do ano 1773 que embora pareça uma bíblia normal, possui no seu interior uma particularidade…

São chamadas de “family bible” e são bastantes conhecidas no Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia.

Para além de terem escrito o velho e o novo testamento têm no seu interior, mesmo no centro do livro, uma secção denominada de Registro. Era nestas folhas em branco que as pessoas escreviam datas de nascimento, casamento e morte dos seus parentes, sendo assim um objeto importante na rastreabilidade genealógica das famílias.

Eram muito populares na época vitoriana, sendo vendidas de porta em porta, podendo por isso, ser encontradas até em famílias não católicas.

Tem uma dimensão aproximada de 42cm de cumprimento, 28cm de largura e 10cm de espessura, com um peso perto dos 5kg.

universal family bible 1773

“Love one another”

– 1 Pedro 1:22

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Porta-moedas e a Loba de França

Porta moedas séc XVIII

Lembro-me daquele final da tarde de um lindo dia de outono, os dois no terraço sentados nas cadeiras de balouço olhando a serra, em que ele me falava sobre o seu antigo amor:

– Éramos diferentes, dizia ele

– Muito diferentes? Diferentes como? Perguntava, tentando conhecer aquela mulher através das suas palavras.

– Well, todas as pessoas são diferentes, mas nós tínhamos culturas diferentes, a nossa língua mãe era outra e….

– E então, não se entendiam?

– Claro que sim e muito bem. Mas sim, éramos diferentes!

– Até aí já percebi…. E as maiores diferenças quais eram?

– Aah, vou-te mostrar, levantou-se e contornou a casa desaparecendo do meu olhar.

Quando voltou, trazia com ele dois pequenos objectos e colocando um em cada mão tentou explicar-me daquela maneira tão própria.

– Este sou eu, mais sério, mais austero se calhar mais simples…, abrindo uma mão e mostrando-me um porta-moedas antigo de pele.

E de seguida, exibindo na outra mão inconscientemente elevada, um porta-moedas trabalhado em malha de prata:

– E este… era ela…mais divertida, mais imaginativa e mais complicada também!  

– Dizem que as pessoas diferentes se complementam, respondi-lhe eu percebendo que neste caso as diferenças traziam positividade à relação.

– Oh sure, yes!…, e olhando para o verde da paisagem em nossa frente continuou:

– Desde então, sinto o meu coração incompleto e a minha alma esvaziada…

“All good things must come to an end”.

 

Com o aparecimento das moedas apareceram também os recipientes que serviam para as transportar, sendo estes mais simples quanto mais antigos.

O porta-moedas mais antigo de que há conhecimento foi encontrado junto de uma múmia natural europeia conhecida como “Otzi the Iceman” com 5300 anos. Podemos encontrar também sinais destes objectos nos hieróglifos egípcios e são frequentemente vistos na Grécia antiga e mais tarde na época medieval.

É de ressaltar que as civilizações antigas não utilizavam bolsos uma vez que estes apareceram apenas no séc. XVII, transportando-se as bolsas presas na cintura normalmente acopladas aos cintos.

Estes porta-moedas são assim uma fase inicial das malas e carteiras utilizadas hoje em dia e tal como estas, tinham uma função prática e estética.

Podemos encontrar no decurso da História, varias referências que demonstram a utilização destes itens e em alguns casos foram até protagonistas como no escândalo da corte Francesa “Tour de Nesle Affair”

Isabella de França e irmãos.jpg

Em 1314 numa visita a França, Isabella de França (também chamada de Loba de França) e mulher de Edward II de Inglaterra, levou 3 bolsas de seda para entregar como presente aos seus três irmãos Louis, Philip e Charles, também filhos de Philip IV.

Mais tarde noutra visita, a rainha apercebeu-se que dois cavaleiros franceses, Gautier e Philippe d’Aunay utilizavam duas dessas bolsas nas suas vestes e imediatamente comunicou ao seu pai que mandou investigar o facto.

Ao que parece, as princesas estavam a cometer adultério, os cavaleiros envolvidos foram condenados à morte e as princesas presas perpetuamente no castelo Gaillard.

Os porta-moedas apresentados na imagem datam do séc. XIX, sendo um de prata (de mulher) e outro de cabedal (de homem). Eram utilizados no interior dos bolsos como uma forma pratica de guardar as moedas. O seu sistema de fecho é idêntico e característico desta altura, podendo encontrar-se ainda estes  objectos em variados tipos de malhas, materiais e enfeites.

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Elizabeth Bathory – A Condessa Sangrenta – Halloween

Não há nada como uma boa história de terror, dizias tu!

– Em dias de chuva esta serra fica magnifica para uma boa história de Halloween. 

Percebi, sentei-me e mesmo antes de ouvir já podia sentir um leve arrepio a percorrer o meu corpo. Já sabia que não ia dormir naquela noite mas, mesmo assim aconcheguei-me na manta de lã e acenei com a cabeça mostrando que estava preparada.

 

No Séc. XVI nascia a lenda de uma Condessa Húngara que torturava e matava jovens raparigas para manter a sua juventude e beldade.
Embora se suponha que muitos dos contos sejam pura imaginação, existem testemunhos verídicos de algumas das crueldades praticadas pela Condessa que é hoje conhecida como uma das mais antigas Serial Killer da História.

Elizabeth Bathory

 

Elizabeth Barthory, nasceu a 7 de Agosto de 1560 na Hungria. Desde o início da sua vida que se apresentou como uma mulher muito inteligente mas perturbada, teve vários problemas psicológicos, entre eles, ataques de raiva, epilepsia e distúrbio bipolar. Sabia falar, ler e escrever em quatro línguas diferentes e aos 11 anos já estava noiva de Ferenc Nádasdy.

 

 

Casaram dois anos depois e foi aí que a lenda começou. Ferenc era comandante das tropas Húngaras e passava longos períodos fora de casa, Elizabeth aproveitava esses momentos para torturar as suas servas, embora mais tarde o seuBrasão Hungria marido se tenha juntado a ela nestes comportamentos.
Os seus métodos de tortura eram variados e evolutivos, variavam desde o espancamento, a espetar alfinetes ou até deixar as vitimas morrer congeladas no inverno húngaro.
Posteriormente Elizabeth associou o sangue das suas vítimas à sua juventude e beleza começando a tomar banho no sangue de raparigas virgens, não chegando para a satisfazer começaram os atos de vampirismo, ela bebia o sangue das jovens.
Diz-se que nas masmorras do seu palácio havia uma jaula pendurada feita de lâminas onde eram colocadas as vítimas que ao contorcerem-se de dor faziam o seu sangue jorrar para cima da Condessa que tomava banho e saciava a sua sede.

Teve 6 filhos, o primeiro, um bastardo filho de um camponês. Manteve relações íntimas com duas mulheres uma delas alquimista e praticante de magia negra.

Sobre proteção da sua abastada família nunca foi julgada pelos seus crimes, mas foi enclausurada no castelo da família até ao dia da sua morte.

Julga-se que matou mais de 650 jovens entre 1585 e 1609, muitos dos corpos foram escondidos sob o soalho do palácio ou enterrados nas masmorras.

Na imagem acima apresenta-se o brasão de armas da Hungria representado no livro “The ideal Postage stamp álbum” de 1914, Standley Gibsons LTD

 

 

 

Lazer

Uisge beatha – Johnnie Walker

Johnnie Walker Whisky 1960

Nos serões de inverno a seguir ao jantar, seguíamos para a sala de estar e saboreando uma bebida, dávamos oportunidade às palavras.

Nessa noite, sentado no seu sofá preferido junto à lareira sem nada dizer, fazia rodar o copo com whisky junto às narinas inspirando o seu aroma.

– Hoje não conversa connosco? Perguntei, nada habituada aquele silêncio.

– Yes, of course. Hoje encontrei dentro de uma caixa a minha roupa da tropa e agora de repente sinto o cheiro da minha terra…

– Encontrou a sua farda da guarda real inglesa?

– Sim, ainda me lembro: Durante duas horas, dez minutos completamente imóvel e de seguida quinze passos a marchar!

E continuou: – Já vos contei que um dos meus colegas foi suspenso porque pisou uma senhora que…

Sim, já nos tinha contado mas não nos importámos, até porque a seguir queríamos ver o uniforme da Queen’s Guard…

(…)

É difícil determinar a data em que se iniciou a produção de whisky, mas podemos saber que a sua inicial função era essencialmente medicinal, muitas vezes denominado de aqua vitae (água da vida) foi produzido por monges onde misturado com plantas e especiarias era dado aos enfermos. Os mais antigos registos do fabrico desta bebida datam do séc. 15 na Escócia, hoje pode ser escrito Whisky, Whiskey ou até Uísque.

Esta bebida provem de um complexo processo de fabrico apurado ao longo dos anos com múltiplas variáveis:
Desde os grãos e/ou quantidade utilizada dos mesmos para o malte, o tipo de madeira em que foi envelhecido se é ou não originado a partir de uma ou mais destilações e o país de fabrico são algumas das alternâncias que dividem o Whisky em diferentes classes como Scotch, Japonese ou Irish Whisky, Single Malt ou Blended, Bourbon ou Tennessee e ainda Rye Whisky.

Em 1819 Jonh Walker abriu uma mercearia onde vendia este elixir da vida. Sendo ele próprio também consumidor e apreciador detetou uma falha na produção do whisky, ele não era consistente o que significava que o sabor de ontem não era o mesmo de amanhã e aproveitou a oportunidade para se dedicar ao fabrico da sua própria bebida através da mistura (Blended) de maltes simples.
Hoje é a marca mais vendida no mundo com representação em mais de 200 países e com um volume de vendas superior ao de 10 milhões de caixas por ano.

A sua primeira marca comercial denominava-se ”Old Highland Whisky” e foi produzida já sobre a diretoria do seu filho Alexander no ano de 1857.

Em 1909 nasceram as conhecidas marcas Red e Black lable vendidas ainda hoje.

Ao longo dos anos a marca foi crescendo e evoluindo apresentando hoje uma grande variedade de whiskeys acrescentado as cores: Azul, Verde, Ouro, Platina e ainda Edições especiais que podem chegar a preços de 2000€ por garrafa.

Na foto apresenta-se uma Black Label de 1960.

Johnnie Walker é agora propriedade de Diageo que possui também as marcas Smirnoff, J & B, Gordon´s, Pillsbury e Burger King.

 

“Never delay kissing a pretty girl or opening a bottle of whiskey.”
― Ernest Hemingway

 

Locais onde o tempo tem história

Feira da ladra – Lisboa

feira da ladra em Lisboa

Nome: Feira da Ladra

Local: Entre o Campo de Santa Clara e a Igreja de São Vicente de Fora – Lisboa

Periodicidade: Bissemanal, 3ªs e sábados

Horário: 9H00 às 18H00 (este horário não é exacto podendo variar conforme a altura do ano)

O que encontrar: Além dos objectos normalmente vendidos por feirantes, encontram-se também antiguidades, velharias, artigos de coleccionismo e artesanato. No local, existem também algumas lojas de antiguidades e restaurantes.

Curiosidades: Esta feira é a maior e mais antiga de Lisboa. Inicialmente no séc. XIII tinha como nome “Mercado Franco de Lisboa” e situava-se junto ao Castelo de São Jorge, mudou diversas vezes de local e lentamente deixou de vender produtos tradicionais de mercado para passar a vender maioritariamente artigos velhos e usados.

Não se sabe a origem do nome de “Feira da Ladra”, havendo muitas teorias como por exemplo:

Derivação da palavra “lada” que no português antigo significava “margem do rio”;

“Saint-Ladre”  que era o nome dado na Idade Média às feiras em França;

“Al Hadra” que em árabe significa “Nossa Senhora” ou simplesmente porque

por lá se vendem peças usadas provenientes de vários donos e não existem certezas de como foram adquiridas…

Esta feira está situada na zona antiga no bairro de São Vicente entre a GraçaAlfama e ao seu redor existem diversos monumentos entre eles, o Panteão Nacional tendo também junto de si o Jardim Botto Machado que oferece vista sobre o Rio Tejo.

 

 

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Fosforeira Rose & Brough

Fosforeira de prata


 

 

Reconheço-te,

Já viajei contigo no tempo.

Deste-me luz, deste-me calor…

Sei o que foste e de quem foste…

És testemunho de vidas passadas,

Declaração das vidas presentes!

 

 

 

Embora o fogo seja companheiro do homem desde os primórdios da história, o fósforo semelhante ao que hoje conhecemos só foi encontrado em 1669 graças à Alquimia e só em 1826 teve início a elaboração de um produto final semelhante aos de hoje.

A Alquimia praticada na idade média, vem de uma fusão de ciências como a Astrologia, a Filosofia, a Química e a Religião. Tinha como objetivo três grandes descobertas: Como transformar matéria em ouro, encontrar o elixir da vida e produzir vida humana artificial. Começava assim uma nova era de experiências e de descobertas importantes que contribuíram para o desenvolvimento da humanidade como hoje a conhecemos.

No ano de 1669, Henning Brand ao destilar uma mistura de ureia e areia na procura da pedra filosofal obteve um material branco que brilhava no escuro e ardia com uma chama intensa, assim se descobriu o fósforo como elemento químico.
Henning denominou-o de phosphŏrus (palavra em latim que significa fonte de luz, aquele que ilumina).

Mas foi em 1826 que o Inglês Jonh Walker descobriu a combinação química que ao ser colocada na ponta de um palito de madeira podia ser acesa por atrito em qualquer superfície porosa dando origem a um “protótipo” dos fósforos comumente utilizados e aos quais ele chamou de Congreves (inspirado nos foguetes de guerra inventados em 1808 por William Congreve)

Embora práticos, estes fósforos não eram seguros pois eram de fácil ignição, levando ao aparecimento das primeiras fosforeiras que podiam ser produzidas em variados tipos de metais ou porcelana de forma a impedir que o fogo causasse danos no utilizador.

As fosforeiras eram particularmente desejadas pelos fumadores fazendo delas um acessório de luxo. Podemos encontrar estes objetos em ouro e prata e ornamentados com pedras preciosas, trabalhados como se de uma joia se tratasse.

A peça fotografada é original de Birmingham e pertence ao fabricante Rose & Brough do ano 1899 como pode ser notado nas marcas de contrastaria da figura abaixo.

Fosforeira Rose & Brough

 

“Do atrito de duas pedras saem faíscas, das faíscas vem o fogo e do fogo brota a luz.”

Victor Hugo

 

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Guerra Civil Irlandesa

proclamação guerra civil irlandesaEntre as estantes cheias de livros, ali estava aquele quadro isolado como se fosse mais importante que o resto e eu, às vezes, ficava a olhar sem o perceber até que um dia lhe perguntei:

– Aquele quadro, o que é?
– Hum, aquele quadro tem um documento muito importante sobre a ilha Esmeralda….
-Ilha Esmeralda? Onde fica essa ilha? Já imaginando barcos e piratas.
– A ilha Esmeralda é a ilha da Irlanda e tem esse nome por causa dos seus prados verdejantes e luminosos que existem durante todo o ano.
– Então, o que diz? Fala sobre esmeraldas? Continuei eu curiosa.
-Não, riu-se ele. Mas fala sobre… sobre… esperança! Informa as pessoas que estavam a chegar tempos difíceis mas seguidos de outros mais brilhantes….
– Sim, estou a perceber. Afinal sempre fala de esmeraldas porque fala da cor verde e do seu brilho!
– Tens razão, anda cá!

Sentando-me no colo dele e não querendo explicar a uma criança o que ela não deveria por enquanto saber, continuou a falar:
– Na Irlanda tudo o que é verde é importante, por exemplo o trevo é um dos seus símbolos nacionais e imagina, dá sorte!

A guerra civil Irlandesa (Cogadh Cathartha na hÉireann) teve início a 28 de junho de 1922 e teve como causa o tratado anglo-Irlandês estabelecido em 1921 que foi negociado entre a Inglaterra e a Irlanda de forma a terminar a guerra pela independência Irlandesa que já durava à dois anos. O tratado veio desafiar as forças republicanas que defendiam a independência de toda a Irlanda e sem vinculação á monarquia inglesa.

Dentro de toda esta conjuntura política destaca-se uma mulher de nome Constance Markievicz.

Condessa Markievicz.png

Constance Georgine Gore-Booth nasceu no ano de 1868 e foi não só uma pintora mas também uma mulher com elevado destaque na política Irlandesa e Britânica. Casou com Casimir Markievicz e ficou reconhecida como Condessa Markievicz embora esse título nunca lhe tenha sido atribuído.

A Condessa Markievicz ou Condessa Vermelha é recordada como uma mulher de fortes ideais e convicções que lutou activamente para defender o seu país, pertencente a alguns partidos de ideias extremistas como o Sinn Féin and Inghinidhe na hÉireann (Daughters of Ireland), foi uma revolucionaria que fez frente á mãe Inglaterra de armas em punho na Revolta da Pascoa em 1917 chegando a ferir um atirador inglês antes de ser obrigada a render-se.
Foi a primeira mulher a ser eleita para a Câmara dos Comuns em Londres e uma das primeiras mulheres do mundo a ter uma posição ministerial ao ser Ministra do Trabalho da República Irlandesa

Durante a guerra civil Irlandesa lutou mais uma vez activamente pelo seu partido voltando a ser presa em 1923 e foi deputada irlandesa em 1927.

(…)

Dear shadows, now you know it all,
All the folly of a fight
With a common wrong or right.
The innocent and the beautiful
Have no enemy but time;
Arise and bid me strike a match
And strike another till time catch;
Should the conflagration climb,
Run till all the sages know.
We the great gazebo built,
They convicted us of guilt;
Bid me strike a match and blow.

W. B. Yeats, “In Memory of Eva Gore-Booth and Con Markievicz” from The Winding Stair and Other Poems. Copyright © 1933 by W. B. Yeats. Reprinted by permission of Scribner (Simon & Schuster, Inc.).
Source: The Collected Works of W. B. Yeats: Volume I (Macmillan, 1990)

 

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Cristais dos anos 20

 

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Havia lágrimas nos olhos dele e cada lágrima brilhava mais do que as contas dos colares que me mostrava…
– Não esteja triste! Guarde os colares na caixinha…
– Não posso, dizia ele.
– Como os cristais também as recordações se quebram e sempre que eu os vejo cintilar assim, vês? Na minha memória surgem outras luzes brilhantes e recordo-me dos tempos em que eles eram usados e as minhas memórias continuam salvas…

Então de repente percebi que cada lágrima dele era uma conta de cristal no colar da sua vida e fiquei a ouvir porque tudo o que pudesse escutar ajudaria a que o cristal não se quebrasse….

 

 

Com a geometria das arestas e a simplicidade e transparência dos tons estes colares representam bem o estilo vivido nos anos 20, não só na moda, como na arquitetura, no cinema, na pintura e em tantos outros mundos o denominado Art Deco estava no seu apogeu.

Aqueles que lucraram com a grande guerra tornaram as noites dos anos vinte as mais loucas de sempre com presença assídua nos mais variados tipos de bares onde o álcool era o anfitrião.

Muitas mulheres ganharam a sua independência monetária com a oferta de cargos nas fábricas que forneciam as necessidades da grande guerra e com isto passaram também elas a escolher onde ir, o que vestir, o que beber e até em quem votar.

Os cocktails e os vestidos curtos faziam a delícia de muitos, e até na musica houve inovações. O Jazz acompanhava o  glamour e a classe destas noites que pediam sempre um brilho especial.

Com a recessão inicial da guerra o cristal era um ótimo concorrente dos diamantes, safiras, rubis e esmeraldas que com valores muito mais baixos conseguia oferecer uma grande variedade de cores e manter o destaque necessário nestas noites loucas dos 20.

A luxúria era rainha da noite e tudo o que fosse elegante simples e vistoso era bem vindo para agradar à vaidade das mulheres e à curiosidade dos homens.

Com todo este movimento e brilho noturno não existiu melhor era para se ser jovem.

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Valor

 

selo E.U.A 1851

“Temos entre nós um mar enorme como as saudades! Tão azul que queria que os teus olhos não tivessem a mesma cor… porque é ele que me separa de ti!

Quero que saibas que já não sou quem era, só o voltarei a ser quando te tiver novamente para mim…

Sempre que fecho os olhos vejo os teus, não durmo apenas sonho contigo!
Penso em ti a toda a hora e todas as horas demoram a passar… Imagino-te mas não te vejo, sinto o sabor dos teus lábios mas não te beijo…

Sobrevivo das palavras ternas que vais escrevendo e que eu guardo junto do peito!
Vou terminar hoje infeliz porque as minhas mãos sentem falta das tuas e recusam-se a escrever…

Que nos encontremos brevemente e eu possa a voltar a ser feliz…”

Robert F.

Com a chegada dos selos adesivos à Inglaterra no ano de 1840 o interesse neste método cresceu internacionalmente e os Estados Unidos não foram exceção.

Daniel Webster, na altura senador, recomendou que se iniciasse a produção de selos adesivos no país mas foi um empresa privada de nome “City Despatch Post” de New York que inseriu os primeiros selos apenas para utilização dos seus clientes em 1842 . Mais tarde foi autorizado pelo governo, a utilização de selos locais (provisórios) que teriam um custo de 5 centimos para 500 km e 10 centimos para distâncias entre 500 a 5000 km.

O primeiro selo oficial foi impresso no ano de 1847, sem perfuração com o valor de 5 centimos e com a imagem de Benjamin Franklin a vermelho.

Ainda assim, o governo deixou opção de escolha ao remetente podendo este escolher enviar a carta com pagamento já feito (utilizando o selo) ou à maneira antiga e a carta ser paga só no destinatário.

O selo apresentado foi impresso em 1851 e o desenho foi inspirado num busto de George Washington feito por Jean-Antoine Houdon, embora tenham sido feitas mais de 20 milhões de cópias um exemplar em ótimo estado de conservação com a cola intacta e sem carimbo pode chegar a valores de 50 mil euros, afinal é um pedaço de história que permaneceu intocável ao longo de 166 anos.