Locais onde o tempo tem história

…mais brilhante que o sol

Um dia simplesmente parei. 

Tudo foi feito para eu voltasse a caminhar

mas o mundo prosseguia sem mim

sem que eu voltasse a andar.

Até que ela com fé, prometeu

e o mundo continuou a avançar

e eu com ele avancei…

 

Cisnes no céu 3

Hoje há anjos no céu transportando nas asas fé e esperança.

Em terra, milhares de peregrinos terminaram as suas  jornadas de remição e chegaram a 13 de maio a Fátima.

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Santuário de Fátima (Imagem retirada do Google)

 

A 13 de maio de 1917 Nossa Senhora fez a primeira aparição a três crianças que guardavam os seus animais identificando-se como Senhora do Rosário.

Lúcia de 10 anos, Francisco de 9 e Jacinta de 7 anos afirmaram ter visto sobre uma pequena azinheira”…uma Senhora vestida de branco e mais brilhante que o Sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente…”.

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Nossa Senhora do Rosário de Fátima (Imagem retirada do Google)

Lúcia conseguia falar com a Senhora, Jacinta ouvia-A e Francisco apenas A via.

A Senhora disse-lhes que vinha do céu e que iria voltar mais vezes, pedindo-lhes que voltassem novamente no mês seguinte no dia 13.

Assim começaram as peregrinações à Cova de Iria, o Santuário recebe milhões de visitantes por ano e milhares de pessoas efetuam a viagem a pé pagando promessas que efetuam a Nossa Senhora do Rosário de Fátima ou caminham apenas por devoção.

 

São várias as promessas feitas…Há quem percorra toda a viagem em silêncio, quem transporte a cruz e ainda quem a faça inteiramente descalço. Vêm de todas as partes do país e até do mundo para agradecer á Santa e pagar a promessa feita, havendo ainda aquelas que são pagas pela queima de velas que existem no próprio santuário

 

Mas antes de ir embora, a Senhora ainda pediu aos pastorinhos que rezassem o terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.

Terço prata
Colar em prata em forma de terço

O Rosário é um instrumento de oração utilizado pelos católicos romanos. Está dividido em três partes que são os Terços e cada Terço tem cinquenta contas.

Um Terço tem cinco mistérios: os Mistérios Gozosos, os Mistérios Dolorosos, os Mistérios Gloriosos e os Mistérios Luminosos, que são períodos importantes e diferentes da vida de Jesus e da Virgem Maria.

Mas o Terço reza-se por dezena ou seja, por cada mistério da vida de Cristo, um Pai-Nosso e por cada dez contas (dez Avé-Marias). No fim uma Salvé-Rainha.

Procissão das velas
Procissão das velas – Fátima (Imagem retirada do Google)

A palavra Rosário quer dizer Coroa de Rosas. Diz-se que a Virgem Maria revelou que por cada vez que se reza uma Avé Maria lhe é entregue uma rosa e por cada Rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas.

 

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Documentos

Édouard Manet no Dia da Mãe

Contigo aprendi tudo  que sei…Aprendi a andar, comer, a ler e escrever mas aprendi também o mais importante…aprendi a VER!

Hoje eu vejo mais de 100 cores diferentes numa paisagem, vejo o sentimento numa pintura ou até o sentido de um poema sem nexo.

Hoje eu consigo ouvir cada instrumento, por si só, de toda uma orquestra ou de uma floresta inteira…consigo ver a historia de um objeto banal e apreciar o mar como se de ouro se tratasse…

Hoje eu percebo quem sou porque TU me ensinaste. Sou o que quiser ser, sem limites nem restrições, sou o vento e todas as cores.

Só com uma regra: Nem 8 nem 80.

Feliz dia da mãe, para a melhor do mundo! 

 

 

Nasceu a 23 de Janeiro de 1832 e foi um dos mais importantes pintores parisienses, foi um impulsionador do movimento impressionista na pintura que contrastou com o realismo apreciado na época.

Filho da burguesia e sem um grande entusiamo para a aprendizagem, cedo descobriu o amor pelas artes e iniciou a sua viagem sendo discípulo de  Thomas Couture  onde durante 6 anos teve a oportunidade de aprender técnicas de pintura e reproduzir obras expostas no Louvre . Com uma diferente perspetiva do mundo, Manet utilizava a luz e as cores de uma forma livre, sem restrições académicas o que lhe proporcionava um grande número de críticas e desvalorizações. 

O seu tipo de pintura destoava dos gostos da sociedade e por isso mesmo as suas pinturas foram muitas vezes rejeitadas dos grande salões de exposições que lhe dariam visibilidade e fama. Em 1859, Manet envia o seu primeiro trabalho ao Salão de Paris (“O Bebedor de Absinto”) que foi quase que automaticamente rejeitada, só no ano de 1861 ele conseguiu um lugar na exposição com o quadro “O Cantor espanhol” 

 

 

 

Neste estilo é pretendido representar todos os tons que são refletidos pela luz, tornando o quadro mais vivo mas nem por isso mais definido, a linha que define as formas não é utilizada porque na realizada ela não existe, o que torna toda a pintura difusa mas percetível, a sombra é luminosa e criada não só pelos tons mas também pelas próprias pinceladas que como grande característica deste estilo são sobressaídas oferecendo ao quadro não só um efeito estético como físico sendo também uma marca deixada pelo próprio pintor, quase tão distinta como a própria assinatura. As cores não são formadas por mistura mas sim utilizadas individualmente em diferente camadas, em diferentes pinceladas, até atingirem o objetivo do pintor. É usual a utilização da natureza e de cenas banais mas reais da sociedade, sem o acrescento de floridos ou disfarces, é a simples verdade retratada por quem a vê.

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Em 1852 teve um filho bastardo de nome Leon Manet, a mãe era uma professora de piano com nacionalidade holandesa, Suzanne Leenhoff, que foi contratada para lhe dar aulas pelos pais que se opuseram fortemente ao seu namoro. Só com a morte de seu pai, Edouard casou com Suzanne mas nunca reconheceu Leon como seu filho talvez porque existem rumores de que afinal ele não seria seu filho mas sim seu irmão.

 

 

Nestes dois quadros, ambos de Suzanne, podemos verificar as diferenças entre o quadro mais classico e mais aproximado do que seria de esperar na época e o quadro de movimento impressionista. O primeiro foi pintado sendo Suzanne sua amante e num inicio da sua carreira verificando-se que a apresentação da mulher se assemelha ás ninfas muito apreciadas na altura, com contornos rijos e fixos mas com tons uniformes e delicados onde a natureza ganha um aspeto quase mágico. No segundo, vemos Suzanne já como sua esposa e por isso mesmo numa fase mais avançada da sua pintura onde conseguimos distinguir facilmente as características principais do impressionismo e consequentemente da técnica que tanto o diferenciou dos restantes pintores desta era.

Édouard Manet falaceu de sífilis em 1883, com 51 anos e está enterrado no Cemitério de Passy em Paris. 

Deixou uma marca no mundo da arte, iniciou uma nova perspetiva e influenciou diversos artistas, com ele nasceu uma nova era e hoje os seus quadros podem valer milhões.

Em Portugal podemos ver alguns exemplares deste pintor no museu Calouste Gulbenkian como por exemplo: “As bolas de sabão”, 1867 e “O rapaz das cerejas”, 1843 que são pinturas que retratam Leon Manet.

 

 

 

“A arte diz o indizível; exprime o inexprimível, traduz o intraduzível.”

Leonardo da Vinci

 

Locais onde o tempo tem história

Mil e uma fantasias

Chegava os primeiros dias quentes do ano. Eu pequena, já antes do jantar afirmava que o calor era muito e que deveríamos sair para o jardim para refrescar.

Na serra durante o dia, várias tonalidades de verde reluziam ao sol, eram verdes exuberantes que se apresentavam orgulhosamente emoldurados pelo céu azul que cada vez mais profundo se juntava ao mar que eu não via, mas sabia lá estar.

 

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Palácio de Monserrate visto de Galamares (imagem retirada do Google)

Anoitecia devagarinho e era na noite que surgia a maior magia daquele lugar.

Acendiam-lhe as luzes e no meio da serra surgia relembrado o palácio imponente, imaginário, surreal.

À hora permitida lá ia eu, feita senhora devagarinho saía à rua, mas na alma levava pressas de criança para o poder apreciar. 

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Palácio de Monserrate visto de Galamares (Imagem retirada do Google)

Depois à noite não dormia, entre personagens inventadas lá estava eu desenhada como princesa real…

Ai que devaneios que eu tinha! O que o palácio me fazia…

 

“Quantos luares eu lá vi?
Que doces manhãs d’Abril?
E os ais que soltei ali
Não foram sete mas mil!”
(Os Maias)

 

Sintra é património da humanidade pela conjugação da sua paisagem natural com os monumentos existentes, entre eles o Palácio de Monserrate situado numa das encostas da Serra de Sintra.

Dizem que no séc. XII foi construido em Monserrate um santuário sobre o túmulo de um cavaleiro (árabe?) que o povo venerava. No séc. XVI, foi construída uma capela no mesmo local em honra de Nossa Senhora de Monserrate.

A partir do séc. XVIII a quinta de Monserrate passou a pertencer ao 36º Vice-Rei das ìndias, caetano de Melo e Castro, pertencendo aos seus descendentes até meados do séc. XIX. Durante esse periodo foram efetuadas várias obras e o edifício assemelhava-se a um castelo com duas torres, tendo havido cuidados também na envolvência paisagistica criando um ambiente de atmosfera romântica que a própria serra o exigia.

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Desenho de W. Baker, gravado e publicado por John Wells em 1793. (Imagem retirada do Google)

Foi em 1856 que a quinta foi adquirida por um milionário inglês Sir Francis Cook, mais tarde Visconde de Monserrate que envolvendo arquitetos, botânicos, jardineiros e paisagistas, transformou o palácio e os seus jardins num local mágico.

Nos jardins foram colocadas mais de 3 mil espécies diferentes de vegetação exuberante trazida de vários lugares do mundo, formando clareiras, relvados e bosques e o palácio foi reconstruído num estilo neogótico com uma torre circular, cúpulas e vários arcos em ogiva.

Na sua decoração passou a haver dourados e pedras mármore rosas e brancas, arabescos e rendilhados num estilo indo-persa que o transformou definitivamente num palácio das mil e uma noites. Foi em 1978 que o estado português comprou o Palácio de Monserrate passando este a ser Imóvel de Interesse Público e podendo ser visitado pelo público.

 

 

 

“On sloping mounds, or in the vale beneath,
Are domes where whilom kings did make repair;
But now the wild flowers round them only breathe:
Yet ruined splendour still is lingering there.
And yonder towers the prince’s palace fair:
There thou, too, Vathek! England’s wealthiest son,
Once formed thy Paradise, as not aware
When wanton Wealth her mightiest deeds hath done,
Meek Peace voluptuous lures was ever wont to shun.”

1809, Lord Byron (Monserrate)

Childe Harold’s Pilgrimage, Canto the First XXII

 

 

Objetos

Inocência perdida

Adorava aquela sala, figuras de animais imponentes que só ali podia ver de tão perto. Havia peças feitas de osso, de pele ou de marfim. Para mim eram provas das suas existências em lugares longínquos que na minha imaginação visitava.

Ele orgulhoso mostrava-me as peças herdadas da família. Foi o meu avô que trouxe de África ou ofereceu-me o meu pai quando chegou daquela viagem… Eu sorria-lhe grata por tudo o que ele me dava a conhecer.

Aquela peça destacava-se, no meu imaginário grupos de elefantes passeavam calmamente pelas savanas africanas numa vida tranquila ora comendo vagarosamente ora bebendo nos grandes rios sob um grandioso pôr de sol.

Marfim (3)

Nunca me contou a triste verdade, talvez porque nunca o tenha pensado ou então porque eu era jovem demais para o saber.

Mas um dia ela surgiu agressiva, brutal derrubando os meus sonhos e acabando com a minha inocência expondo-me cruelmente aos fatos. Não conseguia ver tudo o que havia para ver tal o horror dessa verdade.

Desde esse momento sempre que olho para essa peça não vejo a beleza que via, não lhe toco como tocava, sinto apenas dor e guardo-a comigo para nunca me esquecer e poder mostrar aos outros, não a beleza como me mostraram, mas a desumanidade.

 

Imagino a vida daqui a vários anos…

Vida haverá?

Quando tenho o que tenho?

Quando mato por matar…

Quando me deslumbro com o mal?

 

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Imagem retirada do Jardim Zoológico de Lisboa

 

Diz a lenda que numa cidade viviam sete sábios cegos, que davam conselhos a todas as pessoas que os consultavam para resolver seus problemas. Os homens eram amigos, mas mantinham uma competitividade acirrada, e acabavam discutindo o tempo todo para evidenciar quem era mais sábio.

Um dia, depois de uma conversa cansativa sobre a Verdade, o sétimo sábio aborreceu-se e resolveu ir embora para as montanhas, e disse aos amigos:

– Somos homens cegos e talvez possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. Mas vocês ficam discutindo como se quisessem ganhar uma aposta, um jogo. Estou cansado dessa competição! Vou-me embora.

Um dia, um comerciante chegou à cidade montado num belo elefante africano. As pessoas nunca tinham visto um animal daquele porte, nem mesmo os sábios cegos conheciam aquele animal, e todos saíram à rua para vê-lo. Os cegos rodearam o elefante para tocá-lo e o primeiro sábio apalpou a barriga do animal e disse:

– É muito parecido com uma parede!

O segundo sábio, tocando nas suas presas, corrigiu-o:

– É muito parecido com uma lança!

O terceiro sábio, que segurava a tromba do elefante, retrucou:

– É muito parecido com uma cobra!

A mão do quarto sábio acariciava o joelho do elefante, e o sábio contestou:

– É muito parecido com uma árvore!

O quinto sábio gritou, quando mexia nas orelhas do elefante:

– É muito parecido com um abano!

O sexto sábio irritado rebateu:

– Todos vocês estão errados! O elefante é muito parecido com uma corda! – disse, tocando a pequena cauda do elefante.

E, alvoroçados, os seis sábios ficaram discutindo. Até que o sétimo sábio cego, descendo das montanhas, apareceu conduzido por uma criança. Ao ouvir a contenda, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e iludidos ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:

– É assim que os homens se comportam perante a verdade. Conhecem apenas uma parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!

(história adaptada de Heloisa Prieto e John Godfrey Saxe) – http://www.esalq.usp.br/visoes-da-ciencia/vc-a-lenda

Elefante-africano (Loxodonta africana)

É o maior animal terrestre, o seu peso varia entre 4 a 6 toneladas e mede em média 4 metros sendo o macho maior que a fêmea.

Este animal pode levantar até 10 toneladas e ingere em adulto entre 150 a 300 kg de vegetais por dia.

O elefante africano vive em família e é a fêmea mais velha que lidera. A comunicação é efectuada através de sons.

O intervalo mínimo entre nascimento é de 4 anos e as crias são amamentadas durante 2 anos.

Todas as fêmeas participam na proteção das crias.

Esta espécie como muitas outras está em via de extinção sendo a causa principal o tráfego das suas presas. Existem ainda outros fatores que contribuem para o declínio da espécie como diminuição do seu habitat.

A utilização do marfim para o fabrico de peças e joias não é de hoje e pode-se dizer que já na pré-história este material era utilizado pelas populações devido à sua beleza e pelo seu fácil manuseamento e resistência embora com uma conotação muito distinta da de hoje.

A convivência entre elefantes e humanos sempre foi complicada uma vez que a sua força bruta pode levar à destruição de colheitas, aldeias e até vidas, assim, num mundo “saudável”  e equilibrado a caça seria um forma de manter a população de elefantes controlada, as aldeias a salvo e ainda contribuía para a alimentação por vezes escassa das tribos residentes. As presas eram retiradas ao animal caçado e exibidas como um trofeu onde o caçador mostrava a audácia e a coragem por ter enfrentado a fera e ter ganho, mas com a exportação e os preços elevados da venda do Marfim essa caça deixou de se fazer por necessidade e sim por dinheiro levando à morte de centenas de animais com um único propósito: o lucro!

Para a preservação desta espécie, a proibição da comercialização de peças de marfim tem sido um dos instrumentos mais eficazes, existindo já em inúmeros países.

Em Portugal é proibido comercializar peças que tenham menos de 40 anos sendo necessário que estas estejam devidamente certificadas.

A proibição da comercialização do marfim chegou agora a países como a China e o Reino Unido, indo este país impor uma das mais rigorosas proibições deste comércio.

É fundamental perceber que sem a compra não existe venda e consequentemente podemos salvar a vida destes e de outros animais que fazem a nossa Terra o planeta mais especial e único de todo o universo.

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“The greatness of a nation can be judged by the way its animals are treated.”

Mahatma Gandhi

Objetos

A caixa dos segredos – Maki-e

 

Caixa Maki-eGuardo o que é magico, só o que é magico…

Ela não é dourada mas tudo o que guarda é o que de mais valor tenho….

Guardo a minha primeira visão de ti mas também a ultima…

Guardo o meu amor e a minha esperança, que um dia possamos recuperar tudo o que aqui guardei…

Guardo para todo o sempre, na minha caixa dos segredos.

Uma das técnicas japonesas que mais impressionam o Ocidente é a utilização de laca na decoração de diversos materiais como madeira ou porcelana. Estes objetos cativam a atenção não só pelo maravilhoso brilho originado pela polida superfície da laca mas pelo elevado número de pormenores minuciosos que são inscritos pelos artesões nestas peças muitas vezes com recurso a materiais preciosos e totalmente fabricados de forma manual.

Dentro da utilização da laca existem diversas técnicas que embora tenham uma base idêntica vão se distinguir pelos materiais que são utilizados nos acabamentos ou pela forma como estes são inseridos na peça.

A seiva extraída é utilizada como um verniz, é aplicada camada a camada (com longos períodos de secagem em condições controladas a nível de calor e humidade) formando uma cobertura polida e resistente que muito se assemelha ao plástico artificial, dependendo da técnica e do artesão um objeto finalizado pode levar mais de 20 camadas de laca.

A seiva retirada é translucida pelo que são inseridos pigmentos, os mais comuns nesta técnicas são os pigmentos vermelhos ou pretos.

É aqui que podemos dividir este processo em diferentes técnicas, entre as mais conhecias estão:

HarigakiSobre um fundo de uma só cor os efeitos são originados pela passagem de um objeto pontiagudo que retira a laca do local pretendido.

kimmaO mesmo processo acima descrito mas o espaço livre é preenchido com laca de outra cor (sendo muito usual ver se o vermelho e preto).

heidatsu São inseridos diversos materiais na decoração como metais preciosos ou semi-preciosos, coral, porcelana, marfim e mais comum no Japão carapaça de tartaruga.

maki-eNesta tecnica, muito apreciada e extramente comum dentro da decoração japonesa, o objeto é envernizado de uma só cor sendo os motivos feitos com uma laca de cor contrastante e finalizada com pó de ouro.

Nas peças mais elaboradas podem ser utilizadas mais do que uma técnica.

laca japonesa
Técnicas:  hiramaki-e, takamaki-e, tsukegaki, harigaki, chinkin, chingin y nashiji-e (http://revistacultural.ecosdeasia.com/la-laca-japonesa-urushi-i-definicion-elaboracion-y-tecnicas/)

Urushi (Rhusvernicifera ou Toxicodendron vernicifluum)  é o nome da arvore de onde é recolhida a seiva, cresce apenas nas zonas costeiras da China, Japão e Coreia tendo a particularidade de ser extremamente venenosa.  A sua seiva pode provocar graves lesões na pele se em estado liquido e por isso tem de ser manuseada com extrema cautela.

A seiva é tão resistente quando seca que pode mesmo ser utilizada para reparação de cerâmicas e madeiras.

Devido ao seu efeito de plastificação e á sua capacidade de envenenamento lento esta seiva foi em tempos utilizada por monges que acreditavam na Auto mumificação conhecidos como Urushi tree monks. Os monges mantinham uma dieta de bagas e sementes durante três anos para perderem toda a gordura corporal e posteriormente bebiam chá feito da seiva de Urushi perdendo toda a água corporal pela diarreia e os vómitos causados, fechavam-se num túmulo na posição de lótus apenas com um tubo para respirarem e um sino que tocavam todos os dias para confirmar que ainda estavam vivos. Quando o sino deixa-se de tocar o tubo era retirado e o túmulo ficava fechado durante três anos. Se o monge conseguisse a sua auto mumificação era venerado com um Buddha.

 

A seiva ajudava não só na perda de líquidos, mas na plastificação do corpo e no envenenamento do mesmo que causava a morte e protegia o corpo da decomposição. Esta prática foi realizada durante mais de 1000 anos até ser proibida pelo governo japonês.

“Não há segredos que o tempo não revele” –  Jean Racine

 

Adereços

Então boa viagem!

Fiquei a olhar cá debaixo, o que me fez ficar assim a observar? Não, não era uma frase normal. Não devia ser essa a despedida. Um até amanhã, até logo talvez, mas boa viagem?

Respondi até amanhã, mas incapaz de me voltar e partir fiquei ali parada…

É certo que houve alturas já em anos passados que me despedia por uma ou duas semanas e que partia, mas agora já não, ficava ali mesmo ao virar da esquina…

Rodeada das suas flores continuava a sorrir, acenando um adeus como quem vá ficar sem ver o outro por uns tempos.

Demorei a compreender que o tempo para ela ali naquele instante era outro. Que triste viagem ao passado se o presente não é vivido…

Voltei a subir as escadas e sentindo que o meu coração espreitava às janelas dos meus olhos, disse-lhe baixinho:

– Sabe que eu amanhã vou estar aqui outra vez? Sabe sim?

Por breves momentos ela ficou a pensar confusa e finalmente entendendo respondeu-me que sim.

A viagem ao passado tinha terminado tão subitamente como tinha começado, mas eu desconfiava que haveria mais e mais viagens e com regressos cada vez mais demorados.

Receando essa indesejada viagem, fui embora devagarinho levando comigo aquela frase tão banal que repetidamente ecoava dentro de mim… Então boa viagem!

 

Medalhão com as imagens de São Cristóvão e de Santo António com inscrição de um número pessoal de modo a que se fosse extraviado e posteriormente encontrado pudesse ser devolvido ao próprio.

 

Lenda de São Cristóvão

Havia um rei pagão na arábia que teve um filho devido às preces feitas pela rainha a Jesus. O rei feliz deu-lhe o nome de Offerus e dedicou-o ao deus Apolo.

Com o passar dos anos Offerus tornou-se um homem de grande estatura e força extraordinária.

Talvez por possuir qualidades físicas notáveis, Offerus ambicionava servir o rei mais poderoso do mundo e partiu à sua procura.

Tendo abandonado um rei que se dizia poderoso, mas tremia quando lhe falavam em satanás e depois de ter seguido o diabo e ver que este fugia sempre que avistava uma cruz resolveu partir e continuar em busca desse soberano.

Por fim junto do rio Eufrates, encontrou um monge que lhe disse que Jesus Cristo era o rei mais poderoso de todos e que tinha sido ele que tinha enfrentado satanás e o tinha vencido.

Explicou-lhe que Jesus era o oposto dos outros reis e no seu reino não havia guerras mas amor pelo próximo. Se quiseres servir Jesus, ajuda os outros, utiliza a tua força e auxilia as pessoas a atravessar este rio, disse-lhe o monge.

Offerus ficou e durante algum tempo levava as pessoas duma margem à outra do rio.

Um dia apareceu um menino que lhe pediu para o ajudar a atravessar o rio, Offerus colocou-o aos ombros e à medida que ia atravessando o rio a criança ficava cada vez mais pesada.

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Com muito esforço Offerus conseguiu transportar a criança até à outra margem e quando o conseguiu, colocou-o no chão disse-lhe que parecia que tinha transportado o mundo nos seus ombros. Foi quando a criança lhe respondeu que não só tinha transportado o mundo nos seus ombros como também o seu criador, Ele era Jesus Cristo e Offerus já o estava a servir fazendo aquele trabalho diariamente.

Jesus então baptizou-o como Cristóvão (aquele que transporta Cristo) e disse-lhe que para provar a sua identidade enterrasse o seu cajado na terra e durante a noite nasceu nesse local uma árvore com frutos.

Cristóvão converteu-se e passou o resto da sua vida a pregar até morrer martirizado.

I don’t have Alzheimer’s. I have part-timer’s.

Glen Campbell

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Objetos

Pé descalço

Nem todas as casas da minha infância tinham tesouros dourados, havia casas cujas riquezas eram as vivencias de quem lá vivia e as suas histórias contadas que me levavam imaginariamente até aos mesmos lugares e aos mesmos tempos fazendo-me trabalhar, sofrer, rir e cantar com elas.

Ela era velhinha com os cabelos cheios de nuvens de chuva miudinha, olhos brilhantes de recordações e coração cheio de carinhos.

Todas as tardes elas a visitavam e sentavam-se à volta da mesa redonda.

No Inverno, o lume tapado aquecia-lhes os corpos e as memórias avivam-se em lembranças.

Naquela tarde invernosa também eu lá estava vinda da escola de ouvidos bem à escuta para mais uma lição de vida.

– Naquela altura, dinheiro havia pouco! Todos tínhamos de trabalhar. Dizia uma delas.

– Eu comecei a trabalhar tinha sete anos… apanhava alfinetes em casa da D. Joaquina. Dizia uma das mais novas.

Alfinetes

Apanhar alfinetes? Mas que tarefa era essa e para quê? Haveria assim tantos alfinetes para apanhar? Enfim, que história engraçada estavam elas a contar…e mordiscando um pedaço de pão continuei a ouvir.

– Isso não era trabalho maninha! Dentro de casa alheia à procura de alfinetes. Bem, sempre te davam uns tostões… respondia conformada a mais velha.

– Não fazia só isso, ia também fazer recados, buscar linhas, entregar roupa…

– Andávamos descalças por todo o lado desde a serra à cidade… continuava a mais velha.

– Os meus primeiros sapatos comprei-os eu com os tostões que ia ganhando lá na D. Joaquina. Lembrava a mais nova com um sorriso nos lábios vendo-se exibindo os seus primeiros sapatos.

– Todos nós tínhamos pouco, o António só teve sapatos quando foi para a tropa, as botas do exército… Disse a mãe abrindo os olhos que demoradamente tinha mantido fechados, demonstrando que escutava atentamente o que as filhas iam dizendo.

– Claro que eramos felizes, tínhamo-nos uns aos outros!!! Dizia uma.

– Sim, pois erámos!!! Respondia outra.

– Nunca nos faltou de comer!!! Mais outra que rapidamente respondia à mãe.

Nesta altura estavam todas a falar ao mesmo tempo e eu já não sabia quem dizia o quê mas também não era importante.

Importante mesmo é que eram felizes e eu naquelas tardes também era feliz  porque tinha o privilégio de partilharem comigo as suas recordações e sentimentos.

Pé descalço1
Foto retirada do Google

Durante muito tempo o povo português andou descalço, a pobreza assim o impunha e mais tarde o hábito.

Só a partir dos últimos anos da monarquia é que se tentou reverter esse costume através de manifestos e da proibição da entrada em Lisboa de pessoas descalças, mas sem grandes resultados.

Foi na década de 30 (século XX) que se erradicou das cidades esse costume através dos esforços do governo que decretou a lei nº 12073 em 1928 que publicava:

a) É proibido o trânsito de pessoas descalças na via pública das áreas das cidades,        que serão delimitadas por postura municipal;

b) As disposições poderão igualmente ser aplicadas a outras localidades por decisão dos governos civis;

c) A transgressão do disposto será punida com uma multa de $50 a 2$00. A reincidência será punida com o dobro da pena.

Em 1928 a Liga Portuguesa da profilaxia Social criou uma campanha nesse sentido, considerando o uso do pé descalço indecente e anti-higiénico, publicando nessa altura o livro “O Pé Descalço – Uma vergonha nacional que urge extinguir”.

Pé descalço2
Em Outubro de 1928 atrizes do Teatro Maria Vitória em Lisboa ofereceram alpercatas feitas por elas a vários lisboetas sobretudo crianças.

Mas a lei e o seu cumprimento apenas se fez sentir nas cidades e os pobres tiveram de se calçar ou fugir para as zonas rurais onde o hábito se manteve durante muito mais tempo.

Em 1947 surgiu nova campanha de sensibilização onde se criou também programas de vacinação anti-tétano. Agora o problema já não era tanto a pobreza extrema, mas o hábito de andar descalço sendo sobretudo o Alentejo a persistir com o uso do pé descalço.

Pé descalço4

Estas  campanhas continuaram a nível nacional e regional e muitas pessoas foram  presas durante 1 ou 2 dias quando eram apanhadas descalças sobretudo nas cidades e nas vilas porque nas zonas mais rurais não havia tanta fiscalização, então viam-se pelos caminhos homens com botas penduradas ao ombro para serem apenas calçadas quando chegassem às vilas ou às cidades.

 

 

“I cried because I had no shoes until I met a man who had no feet”

Helen Keller

Lazer

Barris de Cerveja

 

 

 

Durante o serviço militar viveu em Londres, depois ficou por lá um tempo. Não quis estudar e o seu pai entendeu que nesse caso deveria ser ele a sustentar-se a si próprio.

Sempre que contava qual tinha sido o seu primeiro emprego tinha um olhar risonho. Eu sabia porquê, tinha sido um tempo de trabalho, mas também de diversão.

– O meu primeiro emprego foi a entregar cerveja nos pubs em Londres! Lá estava ele com aquele olhar de quem na alma vê um filme como se estivesse no cinema.

– Era duro, tinhamos de carregar com os barris de cerveja!!!! Continuou a contar, mas a sua expressão era leve porque nas recordações os objectos não têm peso.

– Mas esse trabalho foi durante muito tempo? Perguntei admirada porque nada me fazia prever que ele tivesse tido aquele tipo de trabalho.

– Não, foi só durante um ano, depois voltei para Portugal para casa dos meus pais…

– E gostava de fazer isso?

– Sim, foi engraçado até que me divertia muito! Respondeu-me piscando-me um olho e desaparecendo.

Quando voltou trazia na mão uma camioneta de brincar cheia de barris que colocou na minha mão dizendo:

– Olha, era mais ou menos como essa camioneta… Quando em criança brincava com ela e simulava as entregas nunca pensei que mais tarde estaria realmente a carregar com os barris!!!

Fiquei a olhar para o brinquedo enquanto ele lá ao fundo ria à gargalhada.

 

 

Mesmo antes da invenção da roda já se tinha inventado a cerveja muito provavelmente por acidente, mas grande parte das invenções surgem desse modo.

A cerveja provavelmente surgiu na Mesopotâmia, a mais antiga receita do mundo é de cerveja e foi descoberta aí, estando gravada numa pedra de argila.

No antigo Egito, a cerveja era considerada uma dávida do Deus Osiris, em vários túmulos foram encontrados vasos com cereais nomeadamente cevada. A cerveja e o pão estavam incluídos na alimentação diária de todos e era até considerada medicamento.

Na idade média, a cerveja também era dada a crianças como modo de prevenção de doenças como o tifo e a cólera por ser isenta de contaminação.

A mulher teve desde sempre um papel importante na produção da cerveja, sendo ela a cozinheira era também ela que fabricava a cerveja caseira.

Na idade média a cerveja passa também a ser produzida nos mosteiros onde as técnicas são desenvolvidas em busca de um melhor sabor e nutrição. Os monges tinham interesse na cerveja já que os ajudava a passar os dias de jejum.

Nesta época as condições de higiene eram muito más e quem pudesse trocava a água pela cerveja além disso esta bebida servia também de alimento, forma de pagamento de taxas e moeda de troca.

Como a cerveja era feita com diversos ingredientes consoante o produtor, o Duque Guilherme IV da Baviera decretou a “Lei da Pureza” em 1516 para que a cerveja apenas pode ser feita com cevada, lúpulo e água. Só com Louis Pasteur é que a essa lista foi adicionada a levedura.

Hoje a cerveja é a terceira bebida mais consumida do mundo ficando apenas atrás da água e do chá.

 

“Um pouco de cerveja é um prato para um rei.” 
William Shakespeare (A Winter’s Tale)

 

Valor

Rainha menina, rainha mulher, rainha mãe

Estou aqui e estarei sempre que puder!

Mesmo que não queiras, nem precises

Vou estar aqui!

Vou estar por precisar,

Vou estar só por estar

Mas vou estar!

Aqui

Por ti, por mim, por nós…

 

Os selos com efígie da rainha D. Maria II foram os primeiros selos postais portugueses. Os dois primeiros selos emitidos tinham o valor facial de 5 e 25 reis.

Foram emitidos em 1853 com cunho de Francisco de Borja Freire e impressos na Casa da Moeda.

Selo Postal D Maria II (2)

Os selos foram inspirados nos selos ingleses de relevo da emissão de 1847/1848 e apresentavam um busto da rainha semelhante ao das moedas em circulação na altura. Foram impressos um a um em folhas de 24 exemplares não dentados e dispostos irregularmente. A morte prematura da rainha D. Maria II impediu que estes selos circulassem por muito tempo.

D. Maria II (Maria da Gloria Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga) foi uma rainha insólita.

Tinha o título de princesa da Beira e do Grão-­Pará, a grã-cruz das ordens de Nossa Senhora da Conceição, Santa Isabel, Cristo, Avis, e de S. Tiago da Espada e como rainha reinante de Portugal, a dama das ordens da Cruz Estrelada da Áustria, de Santa Catarina da Rússia e de Maria Luísa de Espanha.

Era filha de D. Pedro IV, de Portugal, 1° Imperador do Brasil e da sua primeira mulher, a Arquiduquesa de Áustria D. Maria Leopoldina Josefa Carolina e foi rainha pela primeira vez com sete anos.

Maria_II_1833

Aos nove anos a rainha portuguesa nascida no Brasil, atravessa o Atlântico pela primeira vez para ser educada na Europa acabando por ficar em Londres, mas por questões de segurança tem de voltar ao Brasil.

Volta mais tarde a atravessar o oceano com o seu pai onde em Londres lhe é oferecido o ceptro de ouro, símbolo real seguindo depois para Paris.

Tem 15 anos quando em Portugal sobe ao trono D. Maria II, 29º monarca português e 2ª rainha reinante de Portugal.

Foi rainha por duas vezes, desde 2 de maio de 1826 até 11 de julho de 1828 quando o seu tio e marido por procuração (desde os seus sete anos de idade), o regente D. Miguel I se proclamou Rei de Portugal e novamente rainha a partir de 1834 ano em que foi reposta no trono e Miguel exilado para a Alemanha.

O seu primeiro acto oficial, em Setembro de 1834, foi conceder a seu pai, já entre a vida e a morte, a Grã- Cruz da Ordem de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

Após o casamento com o seu tio ter sido anulado, teve mais dois casamentos tendo enviuvado do primeiro casamento ao fim de poucos meses.

Foi do seu terceiro casamento com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, mais tarde D. Fernando II de Portugal que D. Maria II teve 11 filhos dos quais apenas sobreviveram sete, tendo morrido a dar à luz o seu décimo primeiro filho no ano de 1853 com apenas 34 anos.

Foi rainha ainda menina, mas sendo rainha nunca deixou de ser mulher e mãe.

D. Maria II apelidada de “A Educadora” ou “A Boa Mãe” foi uma mulher e uma rainha corajosa, vivendo numa época politica e económicamente conturbada, entre guerras civis e teorias absolutistas e liberais, conseguiu desempenhar o seu destino de rainha e simultaneamente ser esposa e mãe dedicada fazendo questão de pessoalmente proporcionar aos seus filhos uma educação cuidada não só no plano cultural e físico mas também social de modo a que estes tivessem uma abordagem perante os demais simples e respeitosa.

 

“Se morrer, morro no meu posto!”

D. Maria II – Rainha de Portugal, resposta da rainha quando alertada pelos médicos para o perigo de engravidar novamente

 

Documentos

Registos da Natureza – 1904

Todos os dias ela trazia sem eu saber um pequeno ser vivo para casa…

– O que trazes aí na mão? Perguntava-lhe desconfiada.

– Nada, nada… Escondendo mais um pequenino bicho que aqui em casa vinha morar.

– O que estás a fazer junto à janela?

– Estou a ver as tuas flores…. são bonitas….

– Sim, são… oh não!!!

A minha mini estufa tinha-se transformado num mini jardim zoológico de insetos, já não tinha flores, somente escaravelhos, bichos de contas e lesmas…

 

Pode-se afirmar que a ciência como um todo, é a principal responsável pelo desenvolvimento da humanidade como hoje a conhecemos.

A nossa proximidade com a natureza levou-nos a apreciar e a tentar compreender o seu funcionamento.

Os primeiros registos deixados pelo Homem foram de animais e encontram-se nas pinturas rupestres que podem ser encontradas um pouco por todo o mundo. Estes registos não eram feitos por mero acaso, mas como uma tentativa abstracta de compreensão e registo para futuras gerações.

 

As margens do rio Côa (Portugal), são uma galeria de obras de arte pré-históricas com mais de 25.000 anos. É o maior complexo de arte rupestre paleolítica ao ar livre do mundo sendo Património da Humanidade.

A aprendizagem é a palavra chave da condição humana, e desde o inicio da nossa existência que a nossa capacidade de reter conhecimento nos levou mais à frente.

Foi o reconhecimento do processo causa/efeito que nos possibilitou aprender quais as plantas que podiam ser ingeridas e quais as que tinham efeitos curativos para determinadas e especificas doenças, quais as plantas que poderiam ser plantadas e aquelas que só nasceriam através de sementeira.

 

 

 

Foi o conhecimento dos animais que nos possibilitou diferenciar o momento em que somos “presas” do momento em que somos “caçadores”. Foi com a observação e a retenção do observado que podemos perceber quais as funções que poderiam ser auxiliadas pelos animais e com isto ganhar tempo disponível para outras aprendizagens, fazendo do conhecimento um ciclo sem fim.

Foram várias as descobertas na natureza que revolucionaram o pensamento e o estilo de vida humano assim como os livros publicados ao longo dos séculos sobre esta matéria sendo provavelmente o mais conhecido “The origin of the species” de Charles Darwin do ano de 1859.

Charles Darwin, talvez um dos mais reconhecidos cientistas mudou pensamentos e ideologias quando propôs a sua teoria da evolução, hoje reconhecida e que possibilitou mais uma vez a nossa evolução enquanto humanidade.

O livro apresentado data de 1904 e é baseado no plano de A. E Brehm, um escritor alemão, sendo uma edição coordenada, revista e ampliada à fauna portuguesa por Victor Ribeiro.

Aqui podemos encontrar uma grande variedade de insetos e outros seres vivos já conhecidos na época e as suas caraterísticas físicas e morfológicas, assim como algumas curiosidades comportamentais.

Alguns destes seres são desconhecidos da maioria da população como por exemplo os escorpiões ou lacraus e as tarântulas.

A tarântula, muitas vezes associada a países exóticos tem na verdade origem europeia e existe por cá, este nome deriva dos sintomas que a sua picada provoca conhecidos como “tarantismo” (delírios, tonturas, vertigens, dor local entre outros) mas o seu veneno ao contrário do que normalmente se associa a este nome é de baixa toxicidade para os seres humanos. Crê-se que na época dos descobrimentos este nome tenha sido vulgarizado ao ser utilizado para descrever as novas espécies perigosas, encontradas nos diversos continentes colonizados.

Maravilhas da Naturesa Por Victor Ribeiro 1904.png

 

I love fools’ experiments. I am always making them.

Charles Darwin